Um mês sem gato Silvio

Há quase um mês, estava muito quente. Tão quente que ao sair de casa decidi que deixaria a sacada aberta para que você pegasse um ventinho na varanda, como você gostava de fazer enquanto eu estava na sala vendo TV.

Há quase um mês eu tive uma noite deliciosa com as pessoas que gosto e no meio de risos, comidas, falamos de você, de como estava bem, disposto e muito mais calmo depois da mudança. De como eu o amava e não sabia mais viver sem você por perto.

Então voltamos pra casa. O silêncio. Aquele que sempre nos recebia, saía espreguiçando e miando de dentro da estante, do quarto ou de cima do sofá não estava ali. Procurei em todos os cantos, abri o guarda-roupa, olhei no banheiro, na cozinha. A ração estava lá, a caixinha inutilizada. Peguei o pires e coloquei o patê que você tanto gostava, na esperança de que você sentisse o cheiro e viesse, do seu jeito desengonçado, rodando, pra comer. Mas você não veio.

Inicialmente eu não quis pirar. Pensei: você vai aparecer. Você está curtindo preguiça em algum lugar, normal. Olhei pelas janelas e nada de conseguir ver algo. Você não subia nelas, pois não conseguia pular. E por isso eu confiei em deixar a sacada aberta, achando que você não faria nada. Mas eu errei.

Subestimei seu jeito atrapalhado, sua curiosidade e foi assim que você foi embora. Doeu ouvir que você estava lá embaixo e não estava se mexendo. Doeu pegar na sua patinha, no seu corpinho gelado e te colocar na caixinha para que fosse levado embora.

Segue sendo ruim chegar em casa todo dia e não ser recepcionada por você. Acordar de manhã e não ouvir seu miado-despertador. Ver TV e não ter sua companhia. Deitar pra ler no quarto e não ter você amassando pãozinho na minha barriga até dormir.

A vida sem você tá vazia, Silvio. Hoje tenho duas amiguinhas que enchem a casa de amor, mas ainda sim, você faz uma falta do caralho. Trouxe as duas pois você me deu confiança de que eu conseguiria dar amor a um bichinho, mesmo quando eu tive muito medo de você não se adaptar à casa, mesmo quando você dormia e eu ficava olhando pra ver se você estava respirando. Mesmo quando você fazia xixi onde não devia e se escondia depois ou quando me mordeu pela primeira vez e eu caí no choro, me sentindo mal e te achando ingrato até.

Durante quase um ano e meio você foi meu companheiro, motivo de tantas risadas e amor.

Tô com muitas saudades. Desculpa a irresponsabilidade e se diverte bastante aí no céu dos gatinhos. ❤

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