Eu não gostava de trabalhar e descobri o porque…

Eu sempre fui um cara considerado rebelde no trabalho, era o primeiro a questionar ordens, o primeiro a me achar um trouxa batendo cartão, trabalhando das oito as seis da tarde, de segunda a sexta, as vezes a noite, sábados, domingos, etc.

A grande verdade é que eu não gostava de trabalhar, odiava acordar cedo todo santo dia, odiava ter que acatar ordens, estar sujeito a uma hierarquia, enriquecer alguém e esse alguém achar que o meu salário era alto, ser cobrado a sempre fazer mais, vestir a camisa, suar sangue em prol do crescimento da empresa, com as promessas de que cresceria junto. Com isso, fui colecionando demissões, fama negativa, dificuldade de recolocação, e inúmeros outros casos. Um caso curioso disso é que em 17 anos, eu nunca tirei férias, sempre saia do emprego antes de completar um ano.

Se eu tenho vergonha disso? nenhuma, eu tenho vergonha de ter me submetido tanto tempo a esse martírio, quanto tempo eu perdi? na verdade eu não perdi, eu aprendi errando sucessivamente (e eu sou bom pacas nisso). Ah, não comentei ainda mas eu trabalhava com tecnologia da informação, computadores, e simplesmente resolvi jogar tudo isso para cima, e não mais procurar trabalho na área que estudei, cheguei até a iniciar um mestrado, e achei aquilo um saco.

E depois que eu joguei tudo pra cima, eu pensei “O que eu vou fazer?”, enfim, eu sempre desenhei, sempre amei desenhar. Meus cadernos, minha mesa, tudo, sempre tinha rabiscos meus, e então, resolvi dar um passo adiante e estou aprendendo a tatuar, e a minha vida simplesmente mudou. Descobri que eu sou apaixonado pelo meu novo trabalho, e sinceramente, não ligo se trabalho de manhã, de tarde, ou de noite, sábado, domingo ou feriado, eu simplesmente amo fazer o meu trabalho.

Por que isso? esse cara é louco? Pode ser… eu nunca fui muito bom da cabeça, e nem nunca consegui me encaixar nos padrões estabelecidos pela maioria. O que eu descobri foi que eu fiz a coisa errada da minha vida, e por isso eu achava tudo aquilo um saco. Outro dia vi um documentário, que reforçou aquilo que sempre acreditei, que somos condicionados a tudo. Você entra na escola, e tem que aprender, deixa sua diversão para o intervalo, mas aprendizado sem diversão, não é aprendizado, então com isso já estão te ensinando a odiar seu trabalho, odiar segunda-feira, amar a sexta-feira, ver o trabalho como algo sofrido, chato, sem graça, e segundo diz Eduardo Marinho, você não se diverte no intervalo, você simplesmente vive no intervalo, e vivendo no intervalo, você não é feliz, você não curte, você descarrega, e descarregando, você consome, e consumindo você dá lucro… legal o que fazem com a tua vida, né?

Não estou falando que você tem que pedir demissão amanhã, muito menos que a minha fórmula é eficaz, nada disso, simplesmente estou contando o que eu já cansei de tentar explicar quando chega alguém e me pergunta “mas nossa, você abandonou sua carreira para desenhar na pele dos outros?”, SIM, e não tive remorso algum em faze-lo, pois hoje eu me sinto dono de mim, me sinto vivendo, me sinto fazendo algo que realmente me dá prazer em exercer. Haverão pessoas com prazer em vestir terno e gravata, e trabalhar dentro de um escritório, sim e se as faz feliz, que continuem, a vida que vivemos não é um martírio, ou para ser difícil, ela simplesmente é para ser vivida, aproveitada, e isso inclui o seu trabalho, se ele não te dá prazer, então você está vivendo no intervalo, e logo vai descobrir que nada disso valeu a pena.

PS — Observar e Absorver, é o nome do documentário.

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