O Flamengo tinha ido ali — mas fica tranquilo que ele já voltou
Quase tudo que na vida parece ser sobre frustração na verdade é sobre expectativa. A nota 7 que parece incrível na prova que você encarou sem se preparar porque confundiu as datas já não parece tão boa se você estudou sem parar por uma semana e precisava de 9 pra passar. O sanduíche que parece puro sucesso por 5 reais no fim da madrugada já não vale tanto a pena se você pagou 40 reais e pegou duas horas de fila numa hamburgueria. O “com certeza não” que numa balada não traumatiza ninguém machuca bastante se ouvido no altar, diante dos seus familiares, quando o padre pergunta pra outra pessoa se ela aceita você em casamento.
E se as duas últimas partidas do Flamengo no Brasileirão deixaram um gosto tão ruim na boca do torcedor rubro-negro foi exatamente por conta das expectativas que o próprio time havia criado. Afinal, em circunstâncias normais, uma vitória magra sobre o CSA, seguida de um empate fora de casa contra o Goiás, não seriam uma sequência tão ruim. 4 pontos de 6, ninguém perdeu fora de casa, nada pra se desesperar, certo?
O problema é que o Flamengo de 2019 nos trouxe de volta para o que sempre deveria ter sido o padrão rubro-negro de cobrança e expectativa. Não basta competir, é preciso vencer. Não basta vencer, é preciso vencer bem. Não basta vencer bem, é preciso vencer atacando. E não basta vencer atacando, é preciso vencer atacando e, se possível, metendo uma sacola de gols nos caras.
E para o delírio da torcida rubro-negra, esse Flamengo, que parecia ter saído para comemorar a goleada no Grêmio e esquecido de voltar, decidiu comparecer mais uma vez ao Maracanã, na tarde deste domingo, para aplicar uma merecida sapecada de 4x1 no Corinthians e manter a nossa vantagem de 8 pontos na ponta da tabela do Brasileirão 2019.
Foi uma tarde mágica de Bruno Henrique, um jogador tão brilhante na hora de decidir que se você traduzir suas passadas em código morse tem as respostas corretas para todas as questões do ENEM. Foi mais uma atuação brilhante da dupla Éverton Ribeiro e Arrascaeta, dois jogadores que sozinhos são cerebrais e juntos equivalem a dez campi universitários. E obviamente, mais um dia de gala para Gérson, que em breve as mesas redondas deixarão de comparar com volantes europeus e serão obrigadas a discutir as grandes questões como “se você precisasse escolher entre salvar de um carro em chamas seu pai ou o volante Gérson, você ficaria vermelho ou não na hora de pegar o Gérson no colo?”.
Foi uma vitória para não deixar cair a confiança da equipe, que poderia estar abalada após os constrangedores últimos 15 minutos do jogo em Goiânia; foi uma vitória para manter a confortável vantagem na busca pelo título brasileiro; mas acima de tudo foi uma vitória para deixar claro que apesar de qualquer lapso, cansaço ou tropeço, o Flamengo segue acordado, segue correndo, segue pensando em ser campeão. E se ele continuar jogando como jogou hoje, vai ser realmente muito difícil pra que alguém impeça esse sonho.
