Eu não tenho um plano B…

Eu falei um texto atrás sobre a minha dificuldade em compreender a linha de pensamento que separa a vida pessoal da vida profissional, como se fosse possível separar esses âmbitos da nossa existência por um relógio de ponto. Desta vez, eu venho falar sobre uma outra dificuldade: o famigerado plano B.
Nos últimos tempos, descobri que quase todo mundo que eu conheço tem uma vida alternativa engatilhada, menos eu!
Reparei no tanto de gente que pegou mala e cuia e foi morar na gringa, gente que há tempos vinha tirando cidadania, que vinha juntando dinheiro pra pagar uma passagem pra Portugual, França, Holanda, EUA, Alemanha, Austrália, Itália, e tchau Brasil. Essas pessoas são do mundo, o plano B delas é viver onde quer que elas sintam vontade e isso é muito legal.
Também reparei nas pessoas com dotes artísticos. Num dia essas pessoas trabalhavam comigo e no outro viraram ilustradoras, cantoras, escultoras, pintoras, profissionais de artes cênicas, da dança, da moda. Todas donas de dons que eu realmente não tenho e falo sem qualquer vergonha. Nasci sem, mesmo, e está tudo bem.
Teve também o caso das conhecidas que ““viraram mães””. Elas não só pariram um bebê e se tornaram mães, elas entraram de cabeça no ofício materno e UAU, elas fazem isso muuuito bem! Quando trabalhávamos juntas, esse talvez nem aparecesse na lista de planos B, mas se tornou durante a gravidez. E deu certo.
Mas de onde veio esse questionamento todo? Ouvi de uma pessoa que minha carreira como professora seria meu plano B. Mas não é.
Eu dou aula há 20 anos. Pode não parecer pela carinha, mas é isso mesmo! São 20 anos em sala de aula, dando aula de ~~~informática~~~, de inglês, de português, de marketing, mas nunca encarando a profissão de professora como uma alternativa pra carreira em marketing e comunicação. Pra mim, essas são partes de uma mesma pessoa, são partes do meu acervo de skills profissionais, as quais eu demorei 20 anos pra ter. Looonge de ser um plano B.
Mas o que fazer, portanto, se eu não tenho uma realidade alternativa já preparada e à minha espera pra quando eu estiver enfadada do único modelo de vida/profissão que eu tenho? Será que eu preciso disso? Todo mundo precisa de um plano B? O que vai acontecer comigo se “tudo der errado”?
EU NÃO SEI!
E será que eu deveria saber? Você sabe? Você tem um plano B?

