A difícil arte da escolha

Viver é tão profundo que não há lugar de chegada. Essa imensidão do ser invisível à vida faz dela um recurso inatingível. Ainda assim, insistimos em presenciar o tempo que nos foge das mãos. Somos muito curiosos e viver é realmente um grande mistério.

Estamos diante de uma infinidade de opções que parecem insossas e sem propósito. Estamos aqui e precisamos concretizar algo que é totalmente abstrato. Não há escapatória, precisamos escolher. Essa arte da escolha nos acompanhará até o fim de nossas vidas, desde o meu sabor favorito de sorvete até a profissão que determinará o curso da minha história.

Esse ato de escolher pode nos consumir por segundos, dias, meses, anos ou pela vida inteira se considerarmos que somos nossas escolhas. Na verdade, não sei bem se acredito nisso. Sinto que sou aquilo que restou das minhas escolhas, incluindo aquilo que já não escolho mais.

Com isso, a vida parece um labirinto que possui uma saída, mas que jamais será encontrada. Entre tantos caminhos, escolho o que mais se aproxima de mim hoje, mas que amanhã pode não dizer absolutamente nada a meu respeito. Viver é escolher, o que implica errar, acertar e estar no meio dessa rota que parece indicar um caminho, mas que, no fundo, não nos leva a lugar algum, senão o de mais uma escolha feita no agora e que pode nos indicar algo no futuro (ou não).

No fim, você determina suas escolhas ou elas determinam quem você é?
Foto retirada do site Luz da Serra (2013).