O que motiva você a encarar a vida?
Por que somos tão influenciados por um padrão que implica com o desejo de ser livre das pessoas?
Hoje, no caminho para o trabalho, vi um rapaz que aparentou ter 15 anos. Ele tinha o cabelo rosa e usava na boca um batom vermelho vibrante. Eu fiquei surpreso por ver um adolescente tão corajoso. Sem dúvida, ele estava disposto a enfrentar os olhares tortos (que ele recebia a cada segundo). Fiz questão de reparar o comportamento das pessoas que passavam por ele. Algumas apresentaram um sorriso irônico, outras pareciam zoar o rapaz.
Esse menino me inspirou de diversas maneiras. Primeiro pela coragem de sair de casa do jeito que ele quis. Esse desejo de demonstrar para o mundo um pedaço de quem se é é, no mínimo, admirável, pois auxilia no processo de ruptura com regras arbitrárias, sem lógicas reais. Infelizmente, essas mesmas regras nos direcionam a ser e a obedecer um padrão vazio de sentido.
Eu me lembro bem nos anos 90 do poder da tatuagem. O mundo era claramente separado entre tatuados versus não tatuados, sendo que estes apresentavam vantagens em prejuízo daqueles. Era uma questão de valores. Uma pessoa tatuada tinha, no mínimo, algum desvio de valor que a tornava automaticamente uma pessoa estranha ao grupo social no qual estávamos inseridos. Não estou ignorando o movimento do rock, mas admirado pela sua importância. Atualmente, a tatuagem ainda apresenta suas “questões” (não estamos tão conscientes da humanidade quanto deveríamos), mas, grande parte das pessoas a entende como um desenho (porque é isso que é, tá?). No meu círculo de amigos, muitos que rejeitavam essa ideia da tatuagem, por diversos motivos, agora já possuem mais de uma.
E, assim, eu me questiono: Por que um menino não pode pintar o cabelo de rosa ou passar batom? Não sou contra a criação de regras nem me considero, em muitos aspectos, subversivo, mas de fato não compreendo a razão de criarmos tantas regras inúteis que controlam a forma do outro de se manifestar no mundo e o modo de querer parecer do outro.
Eu não sou a favor de fazer com que alguém diferente de mim seja controlado — como uma marionete — pela minha ideia de identidade. O Ser que é único, em toda sua unicidade e essência, merece ser.
Assim, se eu posso colaborar e cooperar com a manifestação de quem você é, isso já me traz uma paz enorme. Vamos andar juntos, porque já somos separados demais, não acha?
Será que ele sabe o quanto impactou minha vida? Suponho que não, mas estamos juntos, rapaz.

