SOBRE/SOB A LUZ DO LUAR


pesado,

forte,

difícil,

são as palavras atribuídas a Moonlight. por quê? pergunto-me.

no mundo

machista,

racista,

LGBTofóbico,

considerar a existência de um homem negro, gay e de origem periférica só pode ser algo “carregado” demais para ser acessado.

no entanto, Moonlight só é e só pode ser

poético,

sublime,

transcendental

Moonlight é sobre “garotos negros parecerem azuis sob a luz do luar”.

não é sobre o estereótipo do homem negro periférico: traficante de drogas, hiperssexualizado, rude, e desumanamente desprovido de complexidade emocional e intelectual.

é sobre a vida interior densa, profunda e complexa habitada pela pele negra. pele que reflete azul quando a lua ilumina a noite. azul, a cor da tristeza que serve como lente catalisadora da expansão de um novo olhar.

um homem que carrega no corpo suas memórias e suas dores, sua próprias fábulas: a infância de negligência materna e abuso na escola; a adolescência, ao adentrar a própria sexualidade e ter a surpresa de uma sexualidade não normativa; a fase adulta que recupera a referência paterna desconcertante de um traficante de drogas.

Moonlight é um poema sobre a vulnerabilidade inerente à construção da identidade e humanidade do homem negro. Moonlight é sobre subjetividade e vulnerabilidade. sim, a vulnerabilidade que ocupa corpos negros e serve como potência micropolítica de estar no mundo.