RESPEITA O FUNK.

Respeita a minha cultura.

Num momento de insônia decidi escrever sobre isso, não me incomodava o fato de muita gente desrespeitar o Funk, sim, desrespeitar, porém de um tempo pra cá isso vem me incomodando bastante, mais uma vez, negros e pobres estão sendo desrespeitados e degradados, inferiorizados e marginalizados. E não, não estou exagerando.

O funk, entre 70 e 90, era som de clube, tocava onde a sociedade elitista frequentava, e acabou que por ser um som de negro, por ser um som que representava o pobre, foi deixado de lado, e o subúrbio, a favela teve que abraçar o mesmo.

Existe um preconceito gigante com o funk, um preconceito de classe, um preconceito linguístico, um preconceito de raça. Desde sempre, a mesma sociedade elitista tenta criminalizar o gênero.

Preconceitos proveniente de uma análise superficial do gênero. Em sua análise habitual, o funk é sempre relacionado ao tráfico de drogas, prostituição, exploração sexual, dentre outros crimes, e também à degradação da música e da cultura brasileira. Esta é a clássica abordagem da mídia tradicional, mídia em que se apóia a elite que tanto nos subjuga.

Realmente existe alguns funks que podem ser facilmente relacionados aos itens citados acima, porém a sociedade prefere se escandalizar do que tentar entender o que se passa.

Por ser um gênero que foi marginalizado, a produção vai provir de camadas sociais mais baixas, e ao invés de encarar e entender quem o faz, a sociedade prefere simplesmente julgar e virar a cara.

O funk talvez seja mal visto também por promover a democracia, você não precisa seguir nenhum padrão imposto por alguém, você não precisa ser bonito, não precisa ter dinheiro, você sendo você, terá seu espaço de qualquer forma.

A sociedade branca detesta quando os preconceitos que eles guardam são expostos e cutucados, e é isso que o funk faz.

O funk é o jornal da favela, do negro, do pobre. O funk quando toca, são as classes menos privilegiadas conseguindo fazer ecoar sua voz, o funk é quando a população brasileira (em sua maioria) consegue gritar.

Você tem a opção de não gostar da música propriamente dita, mas você não tem o direito de desrespeitar, silenciar, minimizar uma luta, um povo.

O funk é nossa cultura, o funk é nossa voz, o funk somos nós. Respeita!