O monge faz o templo, não o contrário.

Nas diversas noites em que passo acordado, muitos pensamentos vem a minha mente, grande parte deles são sobre a natureza humana, e incluo a minha natureza principalmente. Essa forma única de enxergar essa natureza, a minha e de outros, dá-nos a diversidade de formas de se ver a mesma situação em milhares de ângulos, matizes e verdades inerentes àquela forma que se escolhe para pensar. É o meu ponto de vista e os que imagino ser de outras pessoas.

Em uma dessas noites pensei sobre algo que havia escutado em meu trabalho, sobre um monge que apanhava dos outros monges no templo, respondi quase de bate e pronto: “ O monge faz o templo e não o contrário!”.

Fui convidado pela noite a pensar mais sobre isso, pois é o que se tinha apresentado.

O primeiro templo que conhecemos é a nossa mente, ela cria todos os estados de desconfortos emocionais, tristeza, conflito, medo, no entanto, ela também cria os momentos de felicidade, regozijo, laços de afetividade. O quão poderosa é essa ferramenta, sempre utilizada de maneira automática, criando todos os estados muitas vezes em questão de segundos.

Expandi isso para um monge.

O fato de estar em um templo não necessariamente te faz um monge, monge é apenas o título, ser monge está além do título.

Se aquele monge tem raiva, angústias e medos, e exterioriza isso de forma automática, sem se autoconhecer, como será esse templo?

Agora se esse mesmo monge tiver todos aqueles sentimentos, o que é normal para todos os seres humanos, percebê-los, entender suas causas, o porquê daquilo que foi dito, feito, ou os dois, afetou-nos tanto. Como será esse templo?

Entender isso torna mais fácil o conviver, pois situações iguais que venham a ocorrer após este autoconhecimento já não irão te afetar da mesma maneira, não é o que é dito ou feito, mas é como isso te afeta, o porquê afeta. Continuaremos a ter todos os sentimentos, mas a forma de encarar será outra.

Criamos padrões de comportamentos, esquecemos que os criamos e continuamos a repeti-los inconscientemente como se nós nunca tivéssemos o criado, mas isso é assunto para outra noite.

Obrigado!