Alcatraz

Embrulhei vários cigarros
e fumei, bebi
não sei como consegui aguentar a maratona,
tomando gelada com o intelecto aceso
já fui preso agora estou leso, não saí ileso,
peso setenta quilos — me refiro ao peso 
cerebral (inteligência emocional é crucial).
Fico legal quando acordo antes do meio dia e tomo um café preto,
lembro de tudo preto até que percebi que estava
de óculos escuros enquanto no escuro andava.
Ainda caminho por lá de vez em quando e quando eu conseguir 
achar a luz espero que junto venha uma mulher que seduz
fazendo jus ao sonho. Pergunto seu nome e ela me seca, olha estranho.
Já não tenho mais certeza se o que vivo é ilusão ou realidade, admito,
é verdade que por dias eu andei dizendo minha idade diferente,
havia me esquecido que fiz aniversário, passei algumas décadas
no sistema carcerário e agora me habituo novamente,
recordo como é ser gente, mas
não pago de crente tenho meus próprios credos
acordo nada sóbrio, olho pro lado, credo! Espaço vazio.
Corro pra longe onde gente se esconde e
na fuga quase bato, me livro por um fio, faço um trato,
escapo do guarda, no retrovisor vejo 
a mão molhada na ponta da farda borrada,
piada.