Segundo o Primeiro Relatório das Nações Unidas sobre o Pacto Global das Migrações, a pandemia afetou negativamente milhões de migrantes em todo o mundo, particularmente mulheres e crianças.

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Federico Rios para o The New York Times.

— Dezenas de milhões de migrantes vivem em alojamentos apertados e pouco higiénicos, onde o vírus se espalha facilmente.

— O medo da Covid-19 aumentou os níveis já altos de xenofobia, racismo e discriminação, e provocou um aumento de ataques contra refugiados e migrantes.

— Intensificaram-se os regressos forçados de migrantes, sem quaisquer cuidados de saúde ou segurança. Milhares de migrantes enfrentaram deportações devido à expiração de vistos ou autorizações de residência, bem como situações de sem-abrigo ou detenção em centros sobrelotados sem cuidados médicos apropriados.


A companheira de caminho Lokas Cruz regressou de Lesbos e traz-nos à memória aquilo que não pode, em momento nenhum, ser esquecido.

— Na madrugada de 9 de setembro, o maior campo de refugiados da Europa, na ilha grega de #Lesbos, ficou totalmente destruído depois de dois incêndios. Cerca de 12 mil pessoas ficaram desalojadas, numa situação de ainda maior vulnerabilidade, nas ruas, parques de estacionamento, zonas de floresta e praias da ilha. Quase de imediato, um novo campo foi construído pelo #UNHCR com o apoio do governo grego num antigo campo de tiro militar.

— Este campo está situado junto ao mar e as condições são piores do que no campo destruído pelas chamas: não existe água corrente; as casas de banho são insuficientes para assegurar as necessidades básicas de todas as pessoas e não existem infraestruturas para se tomar banho, sendo o mar a opção que resta todas as crianças, adultos e idosos que vivem em #Moria 2.0. …


— Vivem no campo de Moria 19.184 Pessoas (dados de 15 de janeiro). Dezanove mil cento e oitenta e quatro Pessoas num campo com capacidade para 3100. Mais de metade são famílias.

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Aris Messinis

1049 são menores desacompanhados. Mil e quarenta e nove crianças e jovens sem acompanhamento de qualquer adulto.

— A tensão do campo leva a que frequentemente aconteçam cenários de violência. Há dias, um jovem foi esfaqueado e deu entrada nos serviços médicos com os intestinos de fora. Está nos cuidados intensivos, em risco de vida. Em setembro, um menor matou outro.


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Fotografia de Leander Ott.

— O novo campo de refugiados da ilha grega de Lesbos, construído junto ao mar, em Mitilene, a capital da ilha, já acolhe a quase a totalidade das 12000 pessoas que ficaram desalojadas depois dos incêndios que destruíram o campo de Moria.

— O campo foi construído pelas autoridades gregas — que detêm a responsabilidade geral pela gestão e coordenação da resposta humanitária — com o apoio do ACNUR, da Agência das Nações Unidas para os Refugiados e de outras organizações.

— As autoridades gregas tentaram persuadir as pessoas a mudarem-se para o novo campo, garantindo que as suas necessidades básicas seriam asseguradas. Muitas pessoas recusaram-se a fazê-lo e afirmaram ter medo do que este novo campo representaria e de como afetaria as suas vidas. …


— Os incêndios no campo de Moria deixaram 11500 pessoas requerentes de asilo, incluindo 2200 mulheres e 4000 crianças, sem abrigo, a viver ao relento várias noites consecutivas nas ruas, nos campos, nas praias, em parques de estacionamento, igrejas e até cemitérios. Entre eles, encontram-se pessoas vulneráveis, bebés e crianças, mulheres grávidas, pessoas idosas e pessoas com deficiência. Segundo Faris Al-Jawad, da ONG Médicos Sem Fronteiras, têm tratado bebés com inalação de fumo e crianças que dormiram nas ruas vários dias. A distribuição de água e comida é escassa e é assegurada maioritariamente por organizações humanitárias no terreno.

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Fotografia de Petros Giannakouris/AP Photo.

— Desde o incêndio, mais de 21 pessoas testaram positivo para a Covid-19, para além das 35 que foram diagnosticadas antes do desastre. …


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Fotografia de Elias Marcou/REUTERS.

— No dia 2 de Setembro foi confirmado o primeiro caso COVID-19 em Moria; Em 7 dias o número de casos escalou para 35. O período de confinamento das pessoas refugiadas e migrantes residentes no campo tem sido sucessivamente prolongado nos últimos meses, tendo sido proibidas todas as entradas e saídas e reforçada a presença policial para assegurar o cumprimento das medidas.

— Na madrugada desta quarta-feira, dia 9, deflagrou um incêndio no campo que instaurou o caos. …


From the first moment it became clear that the times we live in are a demanding test of the ability of societies to organize and protect themselves. The situation we are going through challenges our response to emergencies as well as our readjustment to daily life.

As soon as we feel threatened, we hear and tell the story of how we are all in the same boat fighting a common enemy. Without warning, this enemy exposes the weaknesses of our systems, reminding us how vulnerable we all are and of the importance of solidarity.

Perhaps that is why we start to write narratives about the enforced closeness to our community, our friends and our family. We look around and realize that even our own road is full of challenges. We have reinvented our ways of meeting friends, family and neighbors. …


Desde o primeiro momento que ficou claro que os tempos que vivemos são um teste exigente à capacidade das sociedades se organizarem e protegerem. Os dias que atravessamos desafiam-nos na resposta a emergências e na readaptação do quotidiano.

Assim que nos sentimos ameaçados, ouvimos e narramos a história de que estamos todos no mesmo barco a lutar contra um inimigo comum. Sem aviso, este inimigo expõe as fragilidades dos nossos sistemas, lembrando-nos o quão vulneráveis somos e a importância da solidariedade.

Talvez por isso, começamos a escrever narrativas de proximidade reforçada para com a nossa comunidade, os nossos amigos e a nossa família. Olhamos à volta e percebemos que na nossa própria rua são muitos os desafios. Reinventamos as nossas formas de reencontro com amigos, familiares e vizinhos. …


Só em 2019, cerca de 1086 pessoas terão morrido ou desaparecido no mar Mediterrâneo a caminho da Europa. Perdidos nesta discussão política, nesta guerra entre esquerda e direita, ignoramos o foco da questão: salvar vidas humanas.

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Na passada quinta-feira foram votadas e rejeitadas, no Parlamento Europeu, 4 Propostas de Resolução sobre A BUSCA E O SALVAMENTO NO MEDITERRÂNEO:

1ª — Proposta do Grupo Político ECR (Conservadores e Reformistas Europeus)
📁 Proposta aqui: http://bit.ly/grupoECR

2 ª — Proposta do Grupo Político Grupo ID (Identidade e Democracia)
📁Proposta aqui: http://bit.ly/grupoID

3ª — Proposta do Grupo Político PPE (Partido Popular Europeu — Democratas-Cristãos). …


Alguns dados sobre a forma como lidamos com o sofrimento dos outros:

— As organizações internacionais dão nota que o número de pessoas deslocadas e refugiadas em todo o mundo aumentou.
Os números aumentam e a distância entre o que é aterrador e o que se está a tornar normal diminui. #worldrefugeeday

— Barcos de resgate e salvamento de ONGs estão impedidos de patrulharem o Mediterrâneo — a fronteira que mais pessoas mata em todo o mundo.
Salvar Alguém que precisa não é um ato de humano, é um ato ilegal. #eufariaomesmo

— Existem campos de acolhimento — vulgarmente chamados de campos de refugiados — são o inferno onde milhares de crianças são sujeitas a condições degradantes.
Preferimos esquecer que estes lugares existem, aqui.

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