Arco-íris

Ela abre as portas de casa e abre os sorrisos largos no meu rosto. Pelas ruas e cidades que andei, poucas coisas me marcaram com tanta facilidade como ela. 
Reascende minha euforia num encontro singular. Sem superficialidades, chego no meio da festa pra dizer que sempre volto, sempre venho, sempre vinho -
Pra ficar.

Como esse sentimento é precioso. Toda despedida é um até logo. Eu nunca me canso.

Os olhos levemente fechados, amêndoas doces, são traços macios e frutas em forma de cachos. Tinha lá suas vaidades ao ser mulher. Tinha fome: pelos encantos das paixões, das entregas meticulosas e sem culpa alguma.
Mas na verdade, era uma menina. Menina dos cabelos, corpo, cara, coração e alma em cor. Brilho intenso nos arcos da íris de Lolita que um dia conheci. “Luz da minha vida, fogo da minha carne”. Nabokov não ousaria definir melhor. Nascera menina, tornara-se algo maior do que mulher. Transitaria entre os campos da juventude, em tormentos de brasa, o encantamento e a desilusão das estações. Maças-do-amor em seu rosto, a gosto pelas cores das unhas e das maquiagens, o ar meio sem jeito, tímido, levemente provocador, mas que em sua verdade carregaria para sempre uma grande força, tempestuosa e singular. A trovoada das ideias, da busca pelo conhecimento, ideologia de leoa-mulher.

Caminha pelas ruas e pelos becos da vida pra dizer que sim, o caminho é tortuoso, escuro e excêntrico como o café petróleo, revelador como o encontro das lentes e seus olhos. Mas saboroso. Chá de morango entorpece devaneios.

É doce feito arco-íris — o gosto do destino e o desatino que nos une.

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