Segunda-feira, dia de recomeços. Acordo e lembro que estou gripada. Nariz escorrendo. Olheiras saltantes. Garganta inflamada.

Queria uns abraços daquele corpo que deitara ao meu lado. Queria sentir o cheiro de quem estava abraçando.

Eu o amo, pensei. O final de semana passou voando, pensei. Não disse nada, só levantei, fui ao banheiro e voltei para os mesmos lençóis.

Os lençóis eram os mesmos, mas estavam ao avesso. Via sob uma nova perspectiva. Fiquei curiosa: e se eu revirasse um pouco aquele que está ao meu lado? Será que encontro um Hyde?

Eu, como uma medíocre espécime da minha raça, constato que o ser humano não consegue se livrar das correntes malditas das idealizações maniqueístas.

O certo, o errado, o justo, o injusto, o santo, o profano, o moral, o imoral. Meras palavras mufinas entupidas de recheio cultural.

Ao olhá-lo novamente, vejo um ser aflito e nervoso e cheio de problemas e recordo de todos os males que já me presenteou. E esqueço a imensidão de amor. Enterro as boas memórias em uma superfície difícil de encontrar.

É fácil extrair o melhor ou o pior das pessoas. Difícil é deixar de idealizar, deixar de levantar alicerces infernais em volta do outro.

Uma vez ouvi de um sábio que o não julgamento é o caminho para a plena liberdade. Tem toda razão, fiquei maravilhada quando me dei conta do que ouvi.

O julgar que conhecemos desde que nascemos. O julgar que está enraizado em tudo que fazemos.

Já é terça-feira e ainda não recomecei.

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