Controle de carrapatos nas pastagens e nos bovinos

Há muito sabe-se que a maior parte dos carrapatos que estão infestando uma propriedade rural encontra-se predominante no ambiente (pastagens) e apenas uma pequena parcela está fixada nos bovinos (5%). Os métodos mais utilizados atualmente, consistem no controle químico associado a rotação das pastagens.
O “carrapato do boi” (Rhipicephalus (Boophilus) microplus) é o principal parasita externo dos bovinos, causador de enormes perdas econômicas pela espoliação que causa ao hospedeiro, além de ser transmissor da tristeza parasitária bovina.
Segundo a Embrapa, o carrapato do boi gera por ano um prejuízo de mais de R$ 9 bilhões para a pecuária brasileira. A estimativa inclui custos com tratamento e os problemas diretos e indiretos provocados pelo parasita. As infestações por carrapatos podem reduzir até 90 litros de leite numa lactação de 300 dias de uma vaca.
Abaixo descreve-se o modelo de controle do “carrapato do boi”, desenvolvido pela Embrapa Rondônia, que consiste no uso de diferentes tipos de carrapaticidas, manejo de rebanho e de pastagens.
Realiza-se a colheita do carrapato (fêmeas grandes e cheias de sangue, em torno de 200), o primeiro passo é identificar a eficácia de carrapaticidas sobre a população de carrapatos presentes na propriedade, através do teste chamado de biocarrapaticidograma, mais conhecido como carrapatograma. Em seguida é realizada a identificação de resistência à carrapaticidas, onde será possível observar dentro da população de carrapatos coletados, a resistência a alguns pesticidas encontrados no mercado. Esse teste pode ser realizado pela EMBRAPA gratuitamente, ou (estado de Goiás) encontrado pelo valor de R$65,00 no Laboratório de Parasitologia da UFG.
Depois de identificado o carrapaticidas com eficácia superior a 95%, a etapa seguinte é o preparo do produto. É fundamental fazer a pré-diluição do carrapaticidas antes de diluí-lo no volume total de água, que será usada no banho dos animais. A dosagem deve ser observada no rótulo do produto e o rebanho deve ser separado em duas categorias.
- Vacas em lactação recebem tratamento com carrapaticidas de curta duração para não comprometer a produção de leite com resíduos químicos. Já a outra parte do rebanho recebe tratamento com produtos que agem por até vinte e oito dias.
Os animais tratados exercem um importante papel no sistema: aspiram as larvas de carrapatos da pastagem. Os piquetes destinados às vacas em lactação são primeiramente ocupados pelo rebanho seco, por pelo menos dois dias. Com a saída dos animais, a pastagem é roçada e interditada por pelo menos três meses. A incidência direta dos raios do sol no pasto mata ovos e larvas de carrapatos que ainda estejam na área, tornando a nova pastagem livre de carrapatos e pronta para receber as vacas em lactação.
O terceiro componente do controle integrado é o pastejo rotacionado, que, seguindo o mesmo princípio do roço, o período de descanso, associado à menor altura das gramíneas, favorece o controle dos carrapatos, dessa forma, é possível manter uma baixa infestação, tanto no rebanho quanto no pasto.
Com o controle integrado, são necessárias apenas três aplicações de carrapaticidas por ano e a técnica pode ser adotada por pequenos, médios e grandes produtores. A adoção da tecnologia tem como vantagem a melhora da qualidade do leite que fica livre de resíduos dos carrapaticidas. Além de impedir a fixação e o estabelecimento de populações de carrapatos resistentes nas propriedades.
Abaixo segue dados de alguns laboratórios onde é realizado o teste de biocarrapaticidograma (do estado de Goiás):

Fontes:
Agrodefesa — Normas para coleta e envio de carrapatos em Goiás
Embrapa — Revisão de Literatura sobre o carrapato
Embrapa — Opções para o manejo do carrapato
UFRGS — Controle do carrapato bovino no ambiente (nas pastagens)
