de-sa-ba-fo

oscilações

é muito difícil quando a gente é ensinado a ser ruim.

como assim?

é assim, a gente cresce vendo que o certo é errado e que o como resolve é brigando, gritando, é violentando, pagando na mesma moeda.

e no meio disso, temos consciência de que é ruim ser assim, e logo queremos não ser assim nunca.

conseguimos por partes sermos ótimos, pra todos, pra gente, e às vezes até mudamos quem nos fazia entender o torto.

conseguimos manter momentos de felicidade plena durante muito tempo.

mas tem um mas

nem sempre aguentamos. convenhamos, é sufocante ter que suportar tanta coisa errada tão perto de você.

(geralmente quando algo ruim tá perto de você, você desvia, vai embora. e quando não dá pra ir?)

você aguenta muito, mesmo quando transborda não explode.

mas dói, dói muito.

me faz oscilar, como o mar

me faz chorar

me faz gritar comigo mesma internamente

me faz tomar banhos mais longos

me faz pensar, cogitar.

mas nunca agir. e eu nunca vou agir, prefiro a estagnação e a indignação.

explodo das mais variadas formas.

eu sei que muita gente sente isso, e imagino o quão difícil deve ser pra cada ser.

deixo aqui o meu apoio, a quem quer que seja, que sinta parecido.

feliz sou eu nesse momento meio triste, de poder explodir escrevendo esses versos adversos, num domingo de páscoa, em que eu me vejo ouvindo mallu magalhães e comendo pão integral, refletindo em todos os formatos possíveis sobre a minha vida.

que confuso é.

queria eu ser autosuficiente o suficiente pra não sentir impacto nenhum, não sempre, mas às vezes confesso, gostaria.

porque no fundo (e no raso) ninguém sabe viver no desamor sem oscilar.

e mais difícil que lidar com esses sentimentos é ter de se reconstruir só toda vez que algo te dói muito.

coisa triste escrita pra animar esse domingo de chocolate

foi mal.

talvez tenha sido péssimo.

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