A real realidade (debaixo das máscaras).

Assumo que o mundo não é o mesmo desde aquele dia. Relativamente (muitos) anos se passaram. O mundo mudou. Mas eu ainda não encontrei algo que me trouxesse uma razão para existir. Não foi apenas uma ruptura de tudo aquilo que eu havia planejado e projetado, mas foi o momento em que meu chão simplesmente desapareceu. Que tudo se fez incerteza, que entrei em queda livre. Em alguns momentos, consigo que algo amenize a velocidade, mas é sempre passageiro e volto, simplesmente, a cair a toda velocidade.

E, ainda no ar, me sinto perdida em um labirinto de correntezas, possibilidades, sentimentos, expectativas, ansiedades, coisas não ditas, apegos, medos etc. A cada beco sem saída me questiono o motivo de tudo isso. O que buscamos? Qual o objetivo disso tudo? O que mede o sucesso ou fracasso? O que é certo e errado? Vivemos usando máscaras diante da sociedade e se torna ainda mais triste quando vivemos usando máscaras para nós mesmo.

Já ouvi muitos dizerem que tudo ficará bem — eventualmente -, que os sentimentos ruins e a inquietação passarão, mas me pergunto o quanto disso é realmente verdade e o quanto é apenas uma mentira que contamos a nós mesmo. Vivemos dizendo que amanhã (ou então, o depois de amanhã) será um dia melhor, mas a realidade é que ninguém pode nos dar tal garantia. Às vezes penso que precisamos nos preparar, aceitar e encarar o fato de que pode não melhorar. Que, talvez, aquilo que eu sempre quis nunca venha a acontecer. Como lidar com tal sentimento, que apavora e torna tudo tão inquietante? Novamente, qual o objetivo de tudo isso, então?

Ainda nessa jornada maluca, um dos meus maiores medos é magoar e perder as pessoas que se aproximam com meu mar de inseguranças. De machucar e me isolar por usar minhas máscaras e esconder meus medos e demônios. Isso por um dia ter ouvido que não é de bom tom se mostrar fragilizado e/ou perdido diante da sociedade. Com o tempo aprendi a não mais expor meus sentimentos e guardar o turbilhão apenas aqui dentro.

A todos os corajosos que um dia se aproximaram, posso apenas pedir desculpas pelas minhas ansiedades e inseguranças. Assumo que um dos meus maiores medos é seguir no mundo sem ter com quem compartilhar a experiência (e não apenas no sentido romântico, mas em uma questão mais ampla e simples de conexão). Outros medos são seguir sem jamais encontrar meu propósito de existir, sem me sentir plena e segura para falar tudo aquilo que guardo aqui dentro. De não viver confortável com o que sou.

Reconheço o quanto meus medos soam banais, pequenos e egoístas perante a tanto sofrimento (real) existente. Mais uma vez, peço perdão por olhar apenas para o meu umbigo enquanto o mundo grita por socorro por motivos realmente relevantes. Porém, me assusta o peso que podemos carregar por simplesmente evitarmos uma ruptura. Torço pra um dia me libertar e falar sem medo de tudo aquilo que me assusta, inquieta, entristece e também o que me motiva e cativa sem recear julgamentos.

E, se as coisas melhorarem (ou não), farei o máximo para tornar nem que seja um pedacinho mínimo desse universo um lugar melhor. Mesmo sem nenhuma garantia sequer, ainda tento ter esperanças de encontrar minha razão de estar aqui; seja ela, enfim, em solo firme ou então planando (e não mais caindo) pelo ar.

Ao som de:
A Boy and His Kite — Cover Your Tracks
https://youtu.be/VdQXjyOkM-0