Direita ou esquerda: qual é o melhor caminho para o cristão seguir?

O Brasil passa por um momento bem sensível quando o assunto é política. Você mal termina de completar o seu raciocínio e já é taxado com um dos extremos: “esquerdeopata” ou “coxinha”. Ser cristão (ou ao menos tentar seguir adequadamente a religião cristã) é, frequentemente, ser bombardeado com ambos os rótulos por todos os públicos. Já falo por mim. Sou “esquerdista” quando me posiciono em relação à pena de morte e redução da maioridade penal, mas logo em seguida já me transformam em um “conservador” e “fundamentalista” quando falo sobre aborto, legalização da venda e consumo de drogas e outros assuntos do momento. Porém, quando resolvem perguntar minha “posição política”, a resposta é sempre a mesma: nenhuma.
Embora muitos questionem a efetividade da interferência da religião na política e vice-versa, cada um de nós temos que saber dosar e conciliar a nossa fé com o papel de cidadão em busca de uma sociedade melhor para nós e futuras gerações.
Alguns arriscam a dizer que o cristianismo (principalmente no Novo Testamento) tende a um espectro político de esquerda, mas hoje em dia, na famosa “bancada evangélica” e analisando a postura de muitos líderes religiosos, percebemos uma inclinação para a direita. Diante de tudo isso, fica a dúvida: qual caminho devemos seguir?
Antonio Carlos Costa, pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil e teólogo brasileiro de orientação calvinista, em um pequeno trecho de seu livro “Convulsão Protestante” nos ajuda muito a entender essa sensação de flutuar entre dois mundos.
“A Igreja precisa de muita independência de pensamento […]. Caso se deixe aprisionar intelectualmente por pressupostos de direita ou de esquerda, cometerá graves injustiças e deixará de apresentar respostas que primam pela dialética que produz tanto justiça quanto, por que não dizer, prosperidade material. Não podemos ouvir Marx ou Adam Smith mais que a Cristo. O problema é que há cristãos que são mais liberais ou marxistas do que cristãos. Precisamos, portanto, evitar os extremos”
Ou seja: não se preocupe com a limitação de levantar a bandeira de apenas um dos lados, mas sim em entender de fato aquilo que é a vontade de nosso Senhor, independente do que um determinado modelo político exige. Tentar enquadrar o cristianismo em um padrão político existente é desnecessário ao evangelho e servirá somente para atender às ambições de algum grupo tendencioso.