As minas são muito fazidas*
*fazidas = ser fazido, gíria do Rio Grande do Sul. Equivale a fazer cu doce.
As minas de lá são muito fazidas
Disse um amigo de um amigo de um amigo, que morou nos EUA por uns meses. Ele se explicou.
Sabe aquelas festas que aparecem em filmes americanos, ou num clipe da Katy Perry? Ele estava numa delas: casa de algum conhecido lotada, muita bebida, música, risadas, diversão.
Ao olhar para o fundo da sala, viu duas meninas meio bêbadas, dançando. SCORE! (Afinal, ele estava nos Estados Unidos).
As meninas gostaram da presença dele e a dança ficou mais sensual, próxima, sexy. A reação dele foi, claro, foi colocar a mão na cintura dela e tentar, como diria minha avó, tirar uma casquinha.
Para sua surpresa, a menina não deixou, puxou a amiga, e, indignada, o largou sozinho na pista de dança improvisada. Confuso e irritado, contou a todos como aquelas meninas eram fazidas.
As mais diversas dúvidas e deduções surgiram:
Mas ela estava praticamente se esfregando em ti, claro que queria alguma coisa!
Mas ela não estava usando uma saia, era um cinto, menina que não quer nada não usa roupas assim!
Por que ela dançou comigo assim se não queria nada?
E isso, pessoal, é a famosa cultura do estupro.
Achar que uma mulher precisa fazer alguma coisa por que você, homem, deduziu que só pode ser isso que ela quer é achar que, em algum nível, o corpo da mulher te pertence.
Mas o corpo de nenhuma mulher te pertence.
Praticamente se esfregar não é se esfregar.
Roupas curtas não são um convite para ser cantada ou tocada.
Ela pode querer dançar, mas não querer fazer mais nada disso. E é direito DELA.
Mas roupas e atitudes transmitem uma mensagem.
Claro que transmitem, isso ninguém tem dúvida.
Independente disso, NENHUMA dessas mensagens é:
Fale para mim o que você quer fazer com meu corpo
Passe a mão no meu corpo sem minha permissão.
O corpo de uma mulher pertence a ela, e ela decide o que fazer com ele, quem o toca, se o toca e quando o toca. Não você.