AMOR LIVRE

Sim, “visto a camisa”.

Vejo um certo pavor e repulsa quando defendo esse meu ponto de vista. Algumas pessoas taxaram como coisa de gente promíscua, que não sabe o que quer, que vou acabar ficando “pra titia “e blá blá blá…

Sobre gente promíscua. Eu realmente invejo tamanha disposição e desprendimento. Tá usando camisinha? Não tá metendo a boca em tudo o que vê pela frente? Tá se cuidando, jogando limpo, se respeitando e respeitando as pessoas? Ótimo, vai lá ser feliz.

Sobre gente que não sabe o que quer. Porra, ninguém sabe o que quer. Todo mundo acha que tem certezas e aí vem o humor bizarro da vida e te esfrega na cara o contrário.

Sobre acabar ficando “pra titia”. É bem capaz mesmo. Tenho seis irmãos (até o momento) e tenho fé que alguém uma hora decida povoar mais a família. No que depender de mim, vai demorar ou não vai acontecer (e tudo bem). Mas, como eu disse no parágrafo anterior, ninguém sabe o que quer, vai que a vida me surpreende.

Já parou para analisar que o nome da “causa” começa com amor?! E o que começa com amor não pode ser ruim! Depois vem a palavra livre. Isso não pode mesmo ser ruim!

A verdade é que a aceitação do que é novo (se você for olhar nos livros de história vai ver que nem é) e nos tira da zona de conforto, assusta. Estamos acostumados a ficar enraizados na mesma relação, no mesmo trabalho, nos mesmos bares. Mudar dá preguiça, insegurança, medo. Mas vamos ser francos? Não se abrir para mudanças por conta dos obstáculos é aceitar a palavra mediocridade no cotidiano. Que seja no seu tempo, soltando as amarras devagarzinho, mas mude.

Aceite de uma vez por todas que o outro não é propriedade sua. Entenda que a relação é uma escolha e não um fardo. Amor não sufoca, não oprime, não ameaça. Amor ensina a encher o peito de ar e a soltar calmamente, sem pressa. Amor diz que você tem que ir lá realizar seus projetos. E, estará lá, do seu ladinho, para te apoiar quando o planejado der certo, ou não. Mesmo que esse ladinho esteja fisicamente longe. O amor verdadeiro não precisa de você. Ele é independente, livre e tem vontade própria. Por isso é tão incrível. Ele quer você, por única e exclusiva vontade de ser por ser.

E se ele for a três? É amor?

Quem somos nós para limitar a forma do outro de amar? Quem somos nós para julgar a imensidão desse sentimento?

Tô dizendo que é fácil? Que não dá problema? Que faço com o “pé nas costas”? Não. Acho difícil à beça, tanto que nunca sustentei uma relação assim. Somos filhos do patriarcado com a monogamia. Cheios de normas sociais e preconceitos. É muita desconstrução, autoconhecimento, vontade de pensar fora da caixa.

Você não consegue entender como uma pessoa pode amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo? Problema é seu! Preocupe-se com a saúde da sua relação dois e gaste sua energia com ela. Se tem amor dentro de si, transborde! E deixe que a pessoa lá do poliamor transborde também.

Se faz bem, que mal tem? Para qualquer relação: sinceridade, camisinha, parceria e afeto. Tá faltando essas coisas? É descartável, desnecessário, dolorido. Seja a um, a dois, a três, a quatro…

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