Ensaio sobre o amor

Você fez tudo o que pôde. Se dedicou o máximo, insistiu o tempo necessário, elogiou, apoiou, se entregou completamente, brigou, amou. Sim, amou. Eles têm essa mania de dizer que se acabou então não era amor porque o amor suporta tudo. É romântico pensar assim mas a prática é completamente diferente.

O amor falha, erra, tropeça, machuca, ouve coisas ruins, vê coisas ruins, ganha cortes profundos e cicatrizes maiores ainda, escorrega continuamente, se segura e levanta, percorre mais uma milha e outras mais. O amor também cansa, chora, respira fundo e tenta continuar. Corre rápido o bastante para que tudo de ruim passe logo. Corre também pra que as coisas boas aconteçam depressa. Mas elas não acontecem tão rápido quanto as ruins. E o amor, vai desgastando as forças, e mesmo que tenha motivos suficientes pra continuar sem energia não vai muito longe.

Lembro-me de Cristo: mesmo rodeado por seus fiéis seguidores e amigos em sua triste noite que antecedeu sua crucificação estava só. E tudo o que ele tinha feito até o momento foi demonstrar amor, mas nesse dia demonstrou medo, desespero e dor e isso porque se fez homem entre nós.

Se nem pra Cristo foi fácil porque deve ser pra nós, meros pecadores?

A questão é que eu não me crucificaria por amor. Realmente, o amor não suporta tudo, não esse que os humanos sentem.
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