Causa mortis: ansiedade

Foto por Nirav Patel

Por Melissa Duarte

Morria um pouco a cada dia.

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Coração apertado,

aflição nada contida.

.

Isso tudo porque ansiedade

é não se sentir parte

de cada uma das partes da própria vida.

.

Sinto-me viajante

rumo a um destino que não é o meu,

estrangeira da própria existência,

à terceira margem de mim.

.

Um, dois, três.

Inspira, respira, conta até 100.

O mantra se repete e não resolve, sufoco.

Pulmão se fecha.

No lugar de oxigênio, ansiedade.

.

Batida constante,

a balada ansiosa.

Não desliga, não diminui volume.

Faz do meu peito, palco e transforma mente em caixa de som.

.

Ansiedade mata,

corrói,

dilacera

despedaça.

.

Tento dormir, mas o cérebro acorda.

Eu penso, penso, penso

e consigo fazer o quê?

.

Isso mesmo,

nada.

.

E só.

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