Eu te dedico, Luísa

Foto por Suelen Cristina

Ela diz que a gente se conheceu no balé, em 2005, e se apresentou juntas no fim daquele ano quando ela emprestou um batom — e, olha, ela tem vários —, mas eu não lembro. A primeira memória que tenho dela é de uma noite em que nos esbarramos numa loja e ela falou comigo como se fôssemos amigas há muito tempo, mas juro que não sabia quem era. Quando ela foi embora, tive que perguntar para a mamãe.

Depois disso, ela foi conhecer a escola onde eu estudava. Puxei assunto e mostrei o prédio, porque queria ser amiga dela — ela me conquistou com aquele metro de altura e jeito moleca de atravessar as grades da piscina. Era 2007 e eu ainda não lembrava seu nome. Mas, até hoje, há boatos de que ela foi estudar lá porque queria ser minha amiga também.

Todavia, a verdade é que nosso encontro foi bem antes. Era 1997, nossas mães já eram amigas e dividiam enjoos e chutes na barriga. Porém, ela, apressadinha que só, resolveu conhecer o mundo dois meses antes de mim. Não tem problema; a vida se encarregou de unir nossos caminhos daquele jeito que não dá para separar.

Hoje em dia, a gente mora longe. Fisicamente, quero dizer. Sempre soube que passarinho precisa voar alto e para longe, mas ainda bem que o céu de Brasília é lindo demais e é para cá que ela sempre vai voltar. Porém, do lado esquerdo do meu peito, ela continua a ser a pessoa que tem suíte especial com vista para o nascer do Sol. Aquele nascer do Sol ao qual a gente assistiu no telhado quando virou a noite conversando sem perceber o tempo passar.

Ela já me fez dançar Pump it na gincana do colégio porque sabia que eu detestava; depois disso, não foram poucas as vezes em que performamos. Eu já a vi usar pijama na missa, já vivi a fase Restart com ela. Ela já queimou pipoca de microondas na minha casa, mas faz o melhor brigadeiro da bad. Eu misturava os vários batons dela durante a aula. Ela é a melhor intérprete de Carminha além da própria Adriana Esteves.

Uma já viu a outra chorar, brigar, gargalhar, amar. Ela me envia vários áudios sabendo que não vou ouvir, mas ouço — às vezes — porque é ela. Ela já me ligou às 21h e pediu um roteiro para a manhã seguinte apesar de eu nunca ter escrito um. Ela usou máscaras estranhas numa festa comigo; não preciso dizer que foi o maior mico. Ela me fez enxergar a Natureza com outros olhos. Ela me ensinou a nunca desistir mesmo quando o sonho parece distante. Ela chegou buzinando na minha casa quando passei no vestibular.

Tenho a sorte de ter amigos talentosos, mas ela é ela. Quando sobe no palco, cresce; não parece que tem só um metro e meio de altura. Ela canta, dança, coreografa, interpreta, escreve, produz, dirige. Ela é completa. E eu amo estar na plateia ou do outro lado da tela.

Seu coração é enorme e cabe o mundo inteirinho, mas poucos têm a honra de conhecê-lo. Por isso, talvez, a esta altura do texto, ela esteja chorando — até porque ninguém mais deve ter chegado até aqui. Nós dividimos sonhos, micos, histórias, segredos, planos, conquistas. Nós dividimos a vida. Sempre nos aconselhamos, apoiamos e sonhamos juntas. Eu a admiro e sou grata por infinitas coisas. E escrevi tudo isso só para lhe desejar feliz aniversário e que os próximos sejam mais perto, por favor.

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