Fugi de você por amar demais

Foto de autoria desconhecida

Por Melissa Duarte

Sonhei contigo na noite passada. Logo eu, que jurei nunca mais te beijar, fui traída pelo inconsciente. Flagrei-me pensando em como seria ter teus lábios novamente nos meus. Eu sabia a resposta. Daria o que fosse para te provar outra vez, mas ainda bem que não sou de quebrar promessas.

No sonho, eu tentava fugir de você como uma criminosa foge da cena do crime, até porque era dessa forma que me sentia todos os dias. A diferença é que, dessa vez, você não queria me deixar escapar.

Reuni rapidamente meus pertences na mesa e já estava quase na porta quando você levantou do sofá e veio ao meu encontro, tagarelando algum assunto que não lembro e que, sinceramente, não importa.

Você não queria que eu fosse embora; podia ver em teus olhos. E, então, me abraçou. Aquele abraço de quem vai beijar, sabe? Senti tuas mãos em minha cintura tal qual em nosso primeiro beijo.

A gente se encarou por alguns segundos. Era a conexão, o magnetismo singular que antecede o beijo. Todavia, acordei antes de nossos lábios se tocarem, moverem, sentirem, amarem um ao outro.

Acordei antes de nos beijarmos como se até meu inconsciente soubesse que não deveria fazê-lo. Porém, isso não me impediu de relembrar nossa última conversa semanas antes.

Estávamos conversando sobre o que, um dia, poderíamos ter sido. Acabei perguntando por que nunca demos certo, assim mesmo, como um tiro que atinge alguém sem qualquer chance de defesa. Foi loucura, só pode ter sido; não poderia culpar a bebida dessa vez.

Você fez círculos e mais círculos à volta do assunto. Queria saber o que eu achava para, então, manifestar opinião. Como sempre. Dessa vez, no entanto, não cedi. Disse-me várias coisas e nenhuma ao mesmo tempo. Parecia medo, mas eu também não tinha coragem de contar.

A verdade é que a gente tinha tudo para dar certo, mas você não quis; e eu não poderia querer por nós dois. Eu te ofereci todas as chances para sermos felizes juntos, mas você as desperdiçou.

Agora é tarde demais. O despertador tocou há meia hora e não há mais tempo para as possibilidades de nós dois.

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