Dias. Só.

Amanheci outro dia no lugar mais lúcido em que eu poderia me encontrar, ou em que poderiam me encontrar. Havia muito tempo para pensar sobriamente nas situações cotidianas que involuntariamente me prendiam às velhas árvores. O vasto caminho que me acompanhava até os monstruosos bichos que de certa forma me traziam alguma paz, me fazia sentir normal em comparação a todas as minhas vistas. A casa que me escondia das luzes das cidades me proporcionavam pensamentos malogrados e causava incertezas diante as minhas dúvidas. O barulho assustador da natureza ao anoitecer me fazia esquecer da estafante semana que passara, trazendo menos acuidade ao decorrer dos fatos. A solidão era algo penoso mas agradável ao meu ponto de vista, o eco das minhas palavras não passava apenas de um eco. Ao mesmo tempo tudo aquilo era perigoso e me isolava de diversões modestas. Eu li muito sobre interações humanas e como as pessoas eram empoderadas causando confusões umas as outras. Um arrepio de medo me assombrou durante noites seguidas. Os invisíveis sentimentos mostravam o interior de alguém com indícios de roubar os meus. Eu ouvia palavras que no fundo eu sabia que, não passavam de apenas palavras. Possuíamos iguais alteridades mas vivíamos às extremidades, às vezes, no desenvolvimento das nossas profundas conversas libertávamos as grandes cidades que tínhamos dentro da mente. Eu tentava entender o sentimento de culpa ao redor das histórias que ele me contava, mas infelizmente eu possuía apenas uma visão subjetiva dos ocorridos. O quente linguajar, as linhas entre as nossas línguas se conectavam de uma forma inexplicável. Eu esperava constantemente a dissipação das curiosas cenas que minha imaginação criava. Nessas esperas me vinha a possível atração que minha mente poderia ter com imagens que me desagradavam a maior parte do tempo. Eu precisava de inspiração para escrever algo ou desenhar, mas tudo isso me contrariava de formas confusas e nascia assim a incontrolável dificuldade que me perseguia quando eu, necessariamente, tentava despir coisas que meu corpo misturava com o meu cérebro. Os sentimentos que estavam compelidos a me causar estavam simplesmente me fazendo vomitar emoções, que mesmo desnecessárias, pareciam ser fadadas a construir um outro eu, que não seria eu, seria uma coisa exorbitante e estrondosa. Para alguns, bem. Para outros, mal.