05.09.2017

Não sei se a dor de ser eu mesma vai passar um dia. Se com terapia, remédio, yoga e muito esforço eu vou parar de sentir esta insatisfação diária de viver no meu próprio corpo: este corpo que nunca amei, que sempre repudiei, que tenho como principal vergonha e frustração da minha vida.

Não é só um corpo fora de um padrão. É também uma alma que não pertence a lugar algum, que não combina com nenhuma tribo, que fica cansada de tentar se entrosar com outros.

Faz tempo que não escrevo. Devem fazer uns bons 10 anos que nada de bom sai dos meus dedos. Fazem uns bons anos que nem se quer tento mostrar como me sinto. Nem com textos, nem com palavras. Vou escrever e os dedos atrofiam. Quando começo a falar, perco a vontade.

Já não sei mais como me encontrar. A sensação de gritar no vácuo e não ser escutada por ninguém é aterrorizante. Mas, quero mesmo me fazer ouvir? Quero mesmo que as pessoas me encontrem neste quarto escuro, frio e solitário que é a minha vida? Acho que não. É difícil viver com os outros. É quase impossível suportar um dia sem querer desistir.

Gosto de ficar em casa, de dormir e ler. Os livros me levam para lugares melhores, ou piores — qualquer tipo de lugar, menos aqui, me faz mais feliz.