O feminismo além da definição

Melissa Watanabe
Aug 31, 2018 · 4 min read

Fe.mi.nis.mo sm. Movimento favorável à equiparação dos direitos civis e políticos da mulher aos do homem. § fe.mi.nis.ta adj2g. s2g.

Essa é a definição do Feminismo segundo o dicionário Aurélio, uma coisa sucinta, sem muita enrolação, mas que deixa de fora o principal: Por que precisamos tanto do feminismo? Quais as causas que nos levam a aderir ao feminismo? Qual a origem de tudo isso?

Não é surpresa para ninguém que os homens têm uma clara vantagem na sociedade em que vivemos. Tudo – senão quase tudo – os favorece, seja no mercado de trabalho, no dia-a-dia, na hora de escolherem uma roupa sem a preocupação de “passar a ideia errada”, quando andando em uma rua escura em plena madrugada sem o medo de serem atacados, violados, humilhados. O mundo parece ser feito por homens para os homens e nessa história, infelizmente, quem mais sofre é você.

Sim! Você, mulher! Você aí que está lendo esse texto e se perguntando se o feminismo é realmente necessário na sua vida. Ainda não está convencida? Ok, vou te ajudar! Vamos lá?

Se você é mulher, com certeza já deve ter sofrido algum tipo de assédio durante a sua vida. Seja assédio moral, psicológico ou sexual. De algum modo você já passou por essa experiência desagradável e revoltante, então deve entender bem o que eu estou falando.

Não tem certeza? Sem problemas, vou te dar umas dicas:

  • Você já foi subestimada no seu trabalho simplesmente por ser mulher?
  • Seu namorado vive te chamando de louca, dizendo que você nunca vai conseguir ser feliz sem ele, que você não é boa o suficiente e que nenhum outro cara vai te querer além dele?
  • Já te beijaram à força? Já apertaram forte no seu braço em uma festa quando você quis se afastar? Seu namorado/marido já te forçou a fazer sexo porque era, supostamente, o seu “dever”?

Se sim, a resposta não é lá muito agradável, mas não precisa se envergonhar, a culpa não é, não foi e nunca será sua.

Nós – mulheres – sofremos diariamente as consequências do machismo em nossas vidas. Desde pequenas somos ensinadas a nos comportar, a nunca nos sobressair, a sempre manter a pose, a nunca questionar, a obedecer e a sempre estar apresentável.

São essas minhoquinhas colocadas em nossas cabeças que nos fazem passar por problemas de autoestima, a aceitar a imposição de padrões, a não questionar quando nos dizem o que vestir, o que comer, o que fazer. Ou quando nos diminuem, nos tratam como objetos em favor dos desejos masculinos, como se fôssemos seres inferiores, sem importância e que estão nesse mundo só para servir.

Mas olha, isso NÃO É VERDADE.

Mulheres são tão capazes quanto os homens. Mulheres têm tanto desejo quanto os homens. Mulheres têm tanto direito quanto os homens.

Somos donas da nossa própria história. Somos donas do nosso corpo. Somos donas da nossa vida e ninguém, NINGUÉM tem o direito de dizer o contrário.

É por isso que precisamos do feminismo, para lutar em busca de fazer valer os direitos que temos e de tentar acabar com essa cultura que só nos subjuga. Não podemos mais aguentar tanta violência nos atingindo, levando embora a vida de meninas que nem sequer começaram a viver, acabando com o amor próprio delas com base em padrões que só nos aprisionam e estimulando a competição feminina quando devemos e precisamos permanecer unidas.

Ser feminista não é querer ser melhor do que os homens. Ser feminista não é deixar de lado a sua feminilidade, deixar a depilação por fazer, não ser mãe, não cuidar da casa, não cuidar do marido. Ser feminista é saber que você pode fazer o que bem quiser, é lutar pelo seu direito de ser mãe, médica, advogada, de usar a roupa que te agrada sem ter medo de ser assediada, de beijar vários caras ou nenhum e não ser tachada de “fácil” ou de “frígida”, para não dizer outras coisas.

Ser feminista é estar ciente dos seus direitos e lutar para que as outras mulheres também possam usufruí-los e ainda temos um longo caminho a percorrer até que todas nós possamos ser livres.

Talvez Malala ainda não veja o seu desejo de todas as meninas estudando realizado. Talvez eu, você e a sua vizinha militante não vejamos o empoderamento feminino alcançando a todas. Talvez o machismo que ainda nos assola continue existindo até 2050, 2060, 2070, mas, um dia, ele vai acabar.

Um dia as mulheres poderão dizer: “Eu sou livre de verdade”. Um dia as mulheres poderão andar sem medo, trabalhar sem preconceitos, amar quem quiser, quantos quiser. Um dia essa corrente que formamos hoje dará uma volta ao mundo e mudará – para melhor – a vida de milhares e milhares de adultas, adolescentes e crianças.

Um dia, eu e você, de onde quer que estejamos, nos orgulharemos do que fomos, pelo o que lutamos.

Eu sou feminista. E você?

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