Preciso

Oi, quero dizer umas coisas.

Quando você colocou na minha cabeça palavras e conceitos que nem havia pensado, me assustei.

Todas as vezes.

Queria dizer “gosto de você, mas... não posso deixar a porta escancarada, meu desejo era viver a intensidade desse encontro. Você podia continuar como estava, antes da explosão acontecer. Não precisava viajar em conceitos, apenas ser. E sabe, mesmo se eu não tivesse uma desculpa pronta, talvez eu ficasse apavorada e adoraria ter tempo pra observar o sentimento de longe. E mesmo sem conseguir me expressar, porque parecia concordar com tudo que vinha daí, no fundo, a sensatez me dizia que não era hora de se jogar. Observar isso de longe é o que parece correto pro momento. Pois bem, vou me esconder no esteriótipo que você criou pra mim. Deixa quieto.”

Sinceramente, devido ao susto de viver sensações tão intensas, que à anos não experimentava, cheguei a ficar meio bocó. Porque, antes de viver isso de novo, analisava a vida e percebia o quão raros são esses encontros casuais que ela dá. E fiquei meio louca do tipo “caralho ta acontecendo de novo!!” “pensava até que nunca mais, e rolou!” Enfim..

A intensidade desse encontro foi muito forte. Profunda e especial. Pra mim. Caralho, foi forte! Não da pra seguir negando uma coisa pesada assim. Ta demorando pra cicatrizar e essa vai ter queloide, marcado, exagerado.

Tive um surto de ansiedade pela ausência. Desespero pra ter o passado de volta. Me causou um pequeno estrago existencial. Não me entendia e me enlouquecia, adoecia. Mas passou. Desejo de sentir tudo de novo, de verdade, carne, osso, energia, alma, de novo. Vontade, que dá e passa. E assim segue.

Essa coisa toda me entristeceu, por perceber que é rara, e só minha, pessoal, intransferível, impossível de ser de verdade. Não sei dizer o que sinto, sei que considero intenso e iluminado, como um raio seguido do trovão. Não sei se é amor (do tipo esse amor socialmente intitulado pra duas pessoas). Sei que é como esse lance do raio.

Em paralelo a todo esse turbilhão, tem um monstrinho do passado que crio. Alimentava ele todo dia. O amor, na sua forma mais social, romântica e doentia, ta aqui em forma de pet. Esse bicho é valente! Tem dia que me deixa despedaçada, ele gosta de destruir minha autoestima. Às vezes tenho medo de alimentar ele em novas situações. Acontece.

O amor na forma intensa, leve, altruísta, conheci com a saída de um ser humano de dentro de mim. Tudo na vida é momento. E esse amor puro e leve também vai e vem como tudo que se sente. Acho que ele vai, mais pra longe, quando o pet ta alimentado o suficiente pra brincar com minha autoestima. Um danado. Mas a pureza desse amor é fantástica, deixa a vida leve, e todos os seres ao nosso redor mais lindos também. Considero isso amor de verdade.

O que se conceitua amor, por aí, atualmente, acho que é só um pet mal alimentado. Um desses monstrinhos do ego. Corpos que se entrelaçam em movimentos e energias rasas, monstrinhos do ego, disfarçados de amor. Que disfarce..

Isso tudo que aconteceu comigo, ao te encontrar, me fez perder a vontade de alimentar esse pet vaidoso e tarado. Piro muito na falta de sexo. Mas ter por ter, sem sentir, é o mesmo que não ter. Então, deixa quieto. Tenho estado assim até agora.