Tudo e nada ao mesmo tempo

Eu sempre fui uma janela fechada. Até não ser mais.

De janela fechada, virei carrossel ambulante, cachoeira incessável, iniciante em Highline e, aí, depois umas quedas olímpicas, voltei a ser janela. Escancarada. Daquelas que você fecha e a ventania abre, tenta trancar e convenientemente o tranco quebra, sai correndo pra tampar com ripas de madeira pregadas perfeitamente e, por algum motivo ainda não conhecido pelo homem, elas caem e, voilá: clarão total.

De tudo o que fui, nunca achei que eu fosse ser eu, de alguma forma. Tá acompanhando? Não? Ok.

Por muito tempo não soube o que era, já que eu era absolutamente tudo ao mesmo tempo. E aí revezava por uma semana ou duas e voltava a ser tudo que existia no mundo de novo. Não que isso fosse ruim, não me leva a mal. Mas realmente tiveram momentos na minha ainda breve vida que eu precisava de um pouquinho de estabilidade pessoal. E nunca foi fácil de conseguir. 
Eu era descontraída, bocuda, cara de pau, incoveniente, espertinha, maliciosa, gentil, inocente, introvertida e tímida ao mesmo tempo. Talvez não no mesmo dia, porque isso seria loucura. Dã!
E aí, sério, se já era difícil pros outros, imagina pra mim? Na realidade, quem liga pros outros de qualquer maneira? Double dã!
Agora sério: por que é que eu tô falando no passado? Eu ainda sou assim, tirando pelo introvertida, que eu dei uma leve substituída pelo que eu gosto de chamar de “pelo amor de Jesus Cristo, Melky, por que caralhos você falou isso na frente de todo mundo?”, que, acredite quando eu digo: já foi pior. Hoje tá sob controle. Meio que.

Eu perdi meu ponto porque eu sempre perco o ponto. Sou facilmente distraída. Não facilita na hora de argumentações em geral.

Só é legal escrever, né? Não fazia desde as minhas aulas de Redação e do ENEM em 2011 que me frustrei um tiquinho por ter tirado nota mediana na parte textual. Sério, Nivaldo, pra quê todos aqueles 10 se obviamente eu não escrevo tão bem assim?!

De qualquer maneira, é só pra lembrar qualquer um que esteja lendo que tudo bem ser várias coisas ao mesmo tempo. Ou achar que você não é nada (mesmo isso sendo ridiculamente mentira) ou até achar que você é uma coisa que não é, porque vamos encarar: quem é o doido que sabe quem é de verdade? Porque eu não sei direito, não.

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