
Teve Lua Cheia e em seguida as 40 semanas se completaram… e nada do meu corpo sinalizar que o trabalho de parto começaria. Comecei a oscilar entre o “tá tudo bem” com o “tá difícil segurar essa ansiedade”…
Comecei uma indução natural fazendo uso dos “três hots” (comida apimentada, banho quente e sexo) e nada… Passei os óleos essenciais no corpo, borrifava pela casa, e na-da… nenhuma contraçãozinha com dor.
No fundo eu sabia que essas induções só funcionariam quando de fato, fosse hora dele nascer.
Já eram 40 semanas e 5 dias, e eu estava com uma disposição admirável, fui passear pelo bairro, subi as escadas para o 7° andar, fui ao pilates e fiz “um milhão” de agachamentos, tomei um banho e fui buscar o marido no trabalho para ir ao cinema. No meio da sessão tive uma cólica leve. Leve, mas já era diferente do que estava tendo antes, que era “nada”. Fomos pra casa e deitei na cama para dormir as exatas meia noite.
Senti uma cólica que me impulsionou a sentar na cama, a barriga dura, e o sorriso estampado “Ui, acho que está começando”!! Eram 02h28.
Fiquei na cama mais um pouco até que não aguentava mais ficar naquela posição, e fui pra sala, em silêncio sem acordar o marido. “Vai que não é nada… Me falaram tanto que os pródromos podem demorar até uma semana…”
Baixei o aplicativo de contar as contrações. Eu estava ótima, super consciente do momento, dava para segurar as contrações na boa sem emitir som, enquanto eu marcava as contrações que já vieram em ritmo em 12, 8, 10, 7…
Avisei a equipe do parto, e elas me pediram para relaxar, tentar dormir, e avisar como seria pela manhã…
As 04h00 vomitei pela primeira vez, e o Du (Companheiro, Marido, Amor da Vida) acordou, e veio ficar comigo. As 06h00, a Mayara (Mayara Boareto — querida amiga, foi minha doula — Idealizadora do Projeto “Mulheres da Terra”) chegou, ficou feliz de saber que eu estava colocando tudo pra fora, pois isso é sinal de que o TP realmente começou. Fomos passear pelo bairro, e a cada contração um abraço na árvore mais próxima.
A sensação era de estar dopada, estava com a consciência muito expandida, parecia estar num sonho, me lembrou “da força” da ayuaska… Era a partolândia.
10h30 chegou a Bianca (Bianca Rocha — Enfermeira Obstetra), e eu pensei “Já devo estar com uns 4 cm de dilatação commmm certezaaaa..”. Eram só 2 cm… :/ Ainda tinha chão até os 10…
Entrei no banho para ver se conseguia uma pausa, porque as contrações estavam muito ritmadas em 5 - 7 - 9 - 5, não tinha trégua… Tudo que não teve de sinais antes, veio de uma vez!
O enjoo continuava, e a sequencia de vômitos tão frequentes quanto às contrações (exageros à parte). Nada parava no meu estomago e eu me sentia bastante fragilizada com a perda de nutrientes tão preciosos para essa maratona. Neste momento, eu estava implorando por uma cesárea, nada daquilo fazia sentido, além das esperadas dores das contrações, tinha a questão da limpeza do estomago com os vômitos, e eu estava entrando no sofrimento, foi beeeeem difícil.
De repente a Fabi (Fabiana Garcia, Médica Obstetriz Humanizada), falou: “Dá plasil!!!” E finalmente eu consegui segurar uns golinhos de suco de açaí, ganhei uma cor nas bochechas e consegui segurar melhor a onda de contrações.
Du, Mayara e Bianca se revezavam em me dar força emocional. Gente, como faz diferença pessoas queridas te fortalecendo nesse momento tão forte e difícil, eu estava esmorecendo, já estava pedindo cesárea, e eles me lembravam Do Porque eu estava passando por aquilo, me lembravam que era minha escolha, que era meu sonho, e sem eles eu não teria conseguido!! ❤
Por mais que eu tivesse estudado, me conectado com outras mulheres, com minhas Deusas, com minhas matriarcas, eu não me lembrava de nada, era eu e minhas sombras, eu e meus medos, eu e minha coragem, era eu e meu corpo enlouquecido de hormônios e vivendo uma super experiencia quase que sobre-humana.

Finalmente as 13h30 seguimos para a Maternidade São Luiz, a Fabi já estava lá, e eu iria receber uma dose de anestesia para ajudar no processo da dor. E foi linda maravilhosa essa decisão!
As 18h (14 h depois…), Paolo estava bem baixo e eu cheguei aos 10 cm de dilatação, e aí foi a melhor parte, porque meu corpo tinha vontade de fazer força, e eu dei “sentido” aquelas dores das contrações, então a cada dor uma super força para ajudá-lo a descer cada vez mais… Rapidinho pude sentir a cabeça dele com meus dedos ❤, e mais um pouquinho deu pra ver pelo espelhinho.
Nos ultimos 30 minutos, eu sabia que ele estava super perto, e não ía desistir de fazer forçaa agora, começamos a intensificar e logo ele coroou. Que emoção!!!
Eu estava sentada no banco em formato de C (quase cócoras) e a Fabi colocou o espelhinho na minha frente onde eu pude assistir de camarote o nascimento dele. Quando a cabeça saiu, eu esperei uma segunda contração para ele sair inteirinho, mas ele mesmo deu uns chutinhos e NASCEU!!
Nasceu, e veio direto pro meu seio, uma bolinha muito gosmentinha e molinha, com uma pele muito macia, e todo roxinho.
Ahhhh que emoção!!! Eu consegui parir meu filho!!! Marido filmava, tirava foto, fez uma bagunça, eu chorava e era só emoção!!
Na sequencia do nascimento da placenta, minha pressão despencou, e eu tive uma pequena laceração que curou em 15 dias. Meu filho foi pesado e ficou no canguru com o pai o tempo todo enquanto estavam finalizando o parto. 1 hora depois do nascimento ele já estava mamando e foi uma sensação única!

A presença da Patrícia (Pediatra) fez com que os procedimentos dito padrão hospitalar, fossem desnecessários e eu sou muuuuito grata pela presença dela ali e até hoje nos sos do whatsapp.
Ele sempre foi um bebê muito calmo e tranquilo, e agora completa seu primeiro ano, com 7 dentes e engatinhando. E eu completo meu primeiro ano de mãe, sem dormir mais do que 3 horas por noite, amamentando livre demanda, empreendendo com ele na barra da minha saia, fazendo reunião com ele no sling, e assim será até daqui a pouco, quando ele será uma criança feliz, segura, e curiosa, e eu vou ter certeza de que dei meu melhor, e que pari um menino que será um grande homem para esse Planeta tão amado! E eu me tornando um ser humano melhor, uma Mulher mais consciente do seu papel e apesar dos defeitos, tem como qualidade querer ser mais próxima na ação das suas crenças e valores.
Parabéns Paolo, Parabéns meu amor, e Parabéns pra Mim!! 11/08/16
