
Essa história de ser chamada/comparada com princesa sempre me incomodou. Por várias questões, segue me incomodando. Qual é a chance das filhas “princesas” casarem com um príncipe? Príncipes de fato são legais? Fora que o padrão disney/globo são violentos e se desvincular disso não tem sido nada fácil pra nenhuma mulher que eu conheço.
Daí: “abaixo a monarquia, abaixo ao patriarcado” e ninguém vai chamar a Luisa de princesa: ahhh tá! rs. Até parece que eu tenho controle sobre todas as pessoas que tem contato com ela e a última coisa que eu quero é ser a mãe chata que fica controlando relações que não me cabem.
Pesquisando sobre isso descobri a obra “uma princesa nada boba”, de Luiz Antonio, com ilustrações de Biel Carpenter.
Mais uma vez fui surpreendida pela delicadeza de um livro que conta a aflição de uma menina que vivia se perguntando o porquê de não parecer com uma princesa. Um serzinho que queria caixinhos dourados e narizinho pontudo. Com pais que, assim como ela, tinham dificuldade em responder essa questão.
Para desmitificar o conceito real, o autor mostra outras princesas como exemplo à menina e apresenta Oyá, Nzinga Mbandi e Ketu, mulheres que se destacaram por lutar por aquilo que acreditavam.
A descoberta é acompanhada pela avó da personagem, o que torna a leitura ainda mais deliciosa e real. Só faz 5 meses que sou mãe, mas já entendi que avós são bichos muito mais espertalhões que nós. É outra categoria, outro nível!
A proposta gráfica do livro também envolve a quebra de estereótipos. A troca de páginas é feita de baixo pra cima (tipo um bloquinho de notas) e as ilustrações super conversam com a história, vão se revelando com o passar das páginas. Me deu a impressão de seguir a linha da aflição da menina que vinha confusa de dentro e ia ampliando e clareando após uma chuva de cuidado, amor e informação.
O livro termina caracterizando Nzinga Mbandi, Oyá, Oxum, Iyá Nassô, Maria do Rosário, Zacimba Gama, Wika Yawuwu e Aqualtune. Achei um prato cheio para oferecer aos integrantes da casa, quando for hora de brincar de ser outro alguém.