Tenha ti a tu mesmo.

Vinha andando por pântanos fundos desde alguns anos atrás, pisando e ao mesmo tempo engolindo folhas secas molhadas de barro. Vendo os pés afundarem por lugares tão duvidosos quanto a palavra da cartomante que amarra amores.

Quantas vezes se esquivou ou lutou contra as folhas? Nunca havia reparado que não lutara em momento algum, só abria a boca ao ver as folhas voando em sua direção e as deixava entrar goela abaixo.

Pobre viajante! Aceitara tantas merdas, tantas atitudes imundas com palavras baixas, acompanhadas de taças e mais taças de ilusórias declarações. Pobre sommelier! Levantava as taças contra luz e ignorava o quão ruim era aquela bebida para tão boas papilas gustativas e paladar hiper aguçado.

O viajante, na verdade, só queria sentir sua aventura de forma inesquecível, tocando o chão e afundando no solo, sentindo os galhos entre seus dedos, deslizar na lama. Mas chega! Tome essas galochas, meu querido viajante, já sentira de mais.

Também o sommelier, que só queria provar a si mesmo que era resistente a vinhos ruins de aromas impuros, nem oxigenado e nem decantado. Que absurdo, meu lindo! Pegue esta garrafa de Chardonnay curado e vá curtir boas massas e bons queijos, quem sabe um chocolate? Garçom, uma barra de Belga, por favor, obrigado!