Sobre Clarice Lispector

Quantas vezes você já foi considerado louco por ter lido — ou apenas querido ler — um livro de Clarice Lispector? De quantas pessoas você já ouviu as frases “Clarice Lispector é confusa” ou “Clarice Lispector é chata”?

Não leitor. Não julgue esse crítico. De certa forma ele tem um pingo de razão. Para ler Clarice é preciso ter um pouco de noção de psicologia ou algo parecido, talvez algo que ainda sequer foi definido, mas que existe, ao menos para ela, a Clarice.

Clarice não é apenas para ser lida, longe disso. Também longe de ser meramente degustada, como um daqueles pobres perus que morrem na véspera, e que com certeza Clarice daria toda uma significação psicológica, fazendo nos sentir culpados pela morte de mais um inocente. Clarice Lispector é para ser estudada, é para quebrar a cabeça. Ela mexe com nossas mentes, brinca com as palavras e as personagens, nos deixando confusos. Vira, em questão de poucas páginas, uma patológica mental, alguém com problemas sentimentais tão profundos que fazem nossas tolas decepções parecerem pequenas idiotices — e não são mesmo?

Leia Clarice Lispector. Não como um prazer. Mas também não como uma obrigação. Leia, como um desafio para esse ano. Leia até o fim, mesmo sem compreender tudo. Entre no poço com Clarice. E tente ir cada vez mais fundo. Você perceberá todo o lado artístico e belo desse fundo do poço, mesmo sem compreender bem Clarice.

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