HOJE, AGORA.

O Menino Flor Pássaro
Nov 1 · 2 min read

Hoje, agora, uma mulher foi assassinada pelo seu parceiro.
Alguma criança vendeu bala na rua o dia inteiro.
É instável de janeiro à janeiro.
Hoje, agora, alguém recorreu a droga.
Uma criança abandonou a escola.
Talvez não foi na mesma hora, mas alguém começou a pedir esmola.
Enquanto eu escrevia esses versos, com uma rima que não é obrigatória,
alguém repetia a mesma história.
Se convencia que o diferente dele era escoria e assim mais uma mãe chora.
Hoje e agora.
A sociedade sangra num verdadeiro morde e assopra.
Como numa ópera, onde todos os operários, independente do horário, são feitos de otarios e, durante esse aqui, agora, morreu mais um no sistema carcerário.
Momento refratário. A moral se dissipa e independente do vocabulário, meu parça, a ideia torta se disfarça e o mauricinho e seu comparsa estupram mais uma garota que por uma roupa foi feita devassa e por mais astuta que seja será considerada cabaça.
Hoje e agora.
Um jovem artista desistiu do que faz.
Preferiu um curso aleatório e um salário pouco satisfatório para ver se em casa tinha paz.
Os deuses brincam de leva e traz.
O engravatado que finge ser capaz.
Hoje, agora.
A liberdade ainda não passa de um sonho, amor ainda é visto como estranho e eu faço isso e não é em valor que ganho.
O mundo deixa de ser verde, não há futuro para os novatos,
talvez não tenha ninguém nos vigiando e talvez seria melhor ir la pra fora?
É preciso mudar. Hoje, agora.

O Menino Flor Pássaro

Written by

Tudo cresce, está destinado a mudar.

Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade