HOJE, AGORA.
Hoje, agora, uma mulher foi assassinada pelo seu parceiro.
Alguma criança vendeu bala na rua o dia inteiro.
É instável de janeiro à janeiro.
Hoje, agora, alguém recorreu a droga.
Uma criança abandonou a escola.
Talvez não foi na mesma hora, mas alguém começou a pedir esmola.
Enquanto eu escrevia esses versos, com uma rima que não é obrigatória,
alguém repetia a mesma história.
Se convencia que o diferente dele era escoria e assim mais uma mãe chora.
Hoje e agora.
A sociedade sangra num verdadeiro morde e assopra.
Como numa ópera, onde todos os operários, independente do horário, são feitos de otarios e, durante esse aqui, agora, morreu mais um no sistema carcerário.
Momento refratário. A moral se dissipa e independente do vocabulário, meu parça, a ideia torta se disfarça e o mauricinho e seu comparsa estupram mais uma garota que por uma roupa foi feita devassa e por mais astuta que seja será considerada cabaça.
Hoje e agora.
Um jovem artista desistiu do que faz.
Preferiu um curso aleatório e um salário pouco satisfatório para ver se em casa tinha paz.
Os deuses brincam de leva e traz.
O engravatado que finge ser capaz.
Hoje, agora.
A liberdade ainda não passa de um sonho, amor ainda é visto como estranho e eu faço isso e não é em valor que ganho.
O mundo deixa de ser verde, não há futuro para os novatos,
talvez não tenha ninguém nos vigiando e talvez seria melhor ir la pra fora?
É preciso mudar. Hoje, agora.

