TWENTY ONE PILOTS E VAN GOGH- UM PARALELO AMARELO
A depressão se tornou um produto, infelizmente. A arte é uma das poucas saídas para o descontrole do próprio psicológico e uma das formas de expressar o que se passa dentro da cabeça. Mas parece que a mensagem nunca consegue sair sem ruídos, os gritos são colocados em músicas, quadros, as emoções são transformadas e quando se espera maior atenção e cuidado, se obtêm modas, brincadeiras e tendências nocivas de mercado que tiram a essência e tornam tudo parte de uma indústria cultural assassina.
Twenty One Pilots, banda que mistura rap, rock, indie, formada por Josh e Tyler, conhecida pelos hits “Stressed out”, “Ride”, “Heathens” e a mais recente “Chlorine” trata da depressão e outros assuntos como foco em suas músicas, claro que a profundidade vai além disso mas desde os primeiros álbuns uma narrativa foi criada, personagens e conteúdos em todas as mídias que contam uma historia e abordam os problemas psicológicos. Claro que apoio e digo pra ouvir todos os discos e pesquisar por horas todos os significados, mas o foco aqui é me Neon Gravestones, do cd mais recente, Trench:
“Não me entenda mal, mas de tanto convivermos com o problema
Chegamos a um estigma que não nos assusta mais
Mas para termos uma discussão e por um senso de justiça
Podemos abrir um espaço para um novo ponto de vista?
Será que é real o fato de alguns se sentirem seduzidos
A utilizar um erro como esse como uma forma de agressão?
Uma forma de se promover?
Um tipo de arma?
Pensando: Vou ensiná-los
Bem, eu me recuso a aprender
Isso não passa pelas nossas cabeças
Eu não estou desrespeitando os entes queridos
Apenas estou suplicando que não glorifiquem esse ato
Talvez estejamos trocando os valores”

Acredito que a musica fale por si só, mas antes de falar dela vamos pensar em outra pessoa: Vicent Van Gogh. O pintor holandês muito idolatrado nos dias atuais, conhecido por suas noites estreladas, girassóis e até mesmo por arrancar a própria orelha. Um homem que lutou contra si mesmo e contra todas as opiniões para viver de sua arte. Eventualmente, perdeu para si mesmo e cometeu suicídio, sendo compreendido e expandido após este triste fato. As histórias parecem ignoradas até que se tornem trágicas. A mensagem vem como pedido de ajuda e então se tornam produto, quase que inevitável. Tentar sobressair a arte chega a ser difícil, cria-se romantização e acha-se refugio de atenção em assuntos tão sérios.
Nem sempre dá certo, Vicent lutou durante muito tempo para adiar o ocorrido, seu conteúdo não expressava em todas as vezes, o sofrimento passado pelo mesmo e então na sua época era um fracasso. A banda alternativa já deixa claro o que passa e o que sente, mesmo que subliminar em algumas vezes, o contexto é forte e impactante mas não deixa passar despercebido. Criar um escape para usa dor e seu vazio usando a arte pode ser uma faca de dois gumes, uma hora este talento é reconhecido e você estampa capas de Facebook, as pessoas cantam e repetem sem entender o minimo do que lhes foi dito. Parece até que a depressão só é validada e as pessoas que sofrem de distúrbios mentais precisam reforçar até seu ultimo suspiro o que sentem, sendo ouvidas apenas quando for tarde demais.

Bom, aproveitemos Twenty One Pilots e vamos apoiar os artistas atuais, compreendendo suas carências e oferecendo a ajuda aqueles que estão sofrendo dentro de suas atitudes. Para alguns comunicadores já é tarde demais, mas talvez não seja pra você escutar além dos comerciais e ver mais camisetas bonitas. Não existe um rosto pra depressão, nem uma idade, não existe um padrão e nem mesmo algo pra se vangloriar. Existe uma batalha a ser travada, uma preocupação de todos e um cuidado necessário. Se há uma certa beleza na depressão, que seja na vida após ela.
