Um dia comum

Eu queria escrever sobre a tristeza profunda que me aflige. Queria ter palavras para falar sobre isso mas meu conhecimento, mesmo sentindo isso, é superficial e, porque não, banal.

Assim, decidi escrever sobre minha percepção de energia e de como nos cercamos de uma corrente energética que nos impulsiona para uma direção ou outra. Traduza energia de uma forma lógica à sua escolha.

Quem vê você
Com frequência as pessoas me procuram pois acreditam que a decisão de "largar tudo" e fazer diferente é mais feliz, é extasiante. Bom. Como uma droga, sim, é. Mas tem consequências.

Tristeza profunda, por vezes, é uma. Quando pensamos em trocas energéticas tire o miticismo e pense em: trocar ideias, trocar percepções, ensinamentos e angústias. Pronto. Fudeu!

As pessoas veêm de fora o que elas querem ver, é o princípio básico da comunicação onde não importa o que você diz, importa o que os outros escutam. Nesse caso as pessoas tendem a acreditar que você é foda, que é forte o suficiente para ser um modelo e por isso aguentar trancos.

Multiplique isso por algumas dezenas de pessoa e em algum momento se deixe acreditar nisso. Você acabou de traçar um plano para depressão. Difícil segurar a barra de tanta coisa, de tanta gente. Difícil preencher expectativas.

Lembre-se agora que você teoricamente largou tudo (aqui entram as pessoas que te chamam de louco com frequência ou a eterna dúvida do "será que eu fiz direito") e fez algo novo (o novo não tem comparação, então além de largar tudo você está sozinho de novo, com um monte de dúvidas).

Ou seja: cheio de dúvidas, equilibrando expectativas, sozinho pq deixou tudo pra traz e pq fez tudo novo.

Como qualquer outra droga, você se vicia, fica dependente de largar mais e fazer mais. É exaustivo.

Quem você vê
Existe um exercício que faço com frequência, simples, mas que noto que raramente as pessoas o fazem.

Eu lembro de coisas.

Como cheguei até aqui. Porque "larguei tudo". Enquanto recordo tenho muitas imagens saudosas em minha cabeça, mas muitas outras que transformam minhas escolhas em escolhas óbvias.

Eu vejo o mundo como ele é, e é maravilhoso entender as imperfeições e os problemas do mundo. Aliás, a única forma sã de pensar em melhorá-lo. Todo o resto é achismo.

Também tento entender todos que me cercam e como altero suas energias. Nesse ponto noto por vezes que eu sou um vilão momentâneo, nesse momento abro mão de pessoas, vezes para meu bem, vezes para o bem dessas pessoas.

Por fim reflito sobre o que acho que sou. Lembre-se, o que eu sou é determinado pelo o que o resto vê e não pelo que eu acho, mas aqui tento ir além e entender como as pessoas estão me vendo. Tento ser melhor, mas admito ser péssimo nisso. Acho que todos nós, humanos, somos.

O que não vemos
Essa é a parte problemática. Aqueles momentos que piscamos, que perdemos o contato visual. Quando deixamos passar um detalhe e já é tarde demais.

Não dá pra brigar contra isso, é uma realidade. É impossível não termos pontos cegos. Precisamos aqui ter a humildade de pedir desculpas, admitir o erro e não deixá-lo ficar maior. Encerre.

Não existe fracasso maior do que insistir no fracasso.

O que sentimos
Nessas trocas, os assuntos viram corriqueiros, as formas de agir são semelhantes. Sentimos o que vivemos, e vivemos em conjunto. Somos animais sociáveis e socializar é problemático quando a sociedade está em dúvida.

Chegada uma crise política, econômica e emocional. Sim, emocional. Tudo complica, todas as energias são alteradas.

Muitas famílias que foram afetadas pelos cortes de gastos focam em problemas, não vem soluções. A questão política gera polarização, a polarização gera mais desentendimento e a energia que permeia hoje nossa sociedade está, sem dúvida, no vermelho.

Pontos de esperança tentam acender pequenas chamas, mas o fogo que queima é de tristeza. Assim, chego para tentar explicar a minha tristeza profunda.

O que eu sinto
Tudo escrito e descrito aqui é pessoal. Mais do que eu deveria ser, eu sei. Mas por levantar todas essas coisas, notei que acham que eu sou, por vezes, essas pequenas labaredas de esperança.

Esquecem que sou humano.

Cheio de erros humanos e, por vezes, desumanos.

A tristeza profunda que me toma diz respeito à sociedade que me cerca, diz respeito às pessoas que eu admiro e principalmente à forma que eu não consigo lidar com as minhas falhas e como tenho achado que não passo de uma farça, criada por um acaso. Sem maldade. Mas sem forças também.

Sinto cansaço. Sinto muito.

Show your support

Clapping shows how much you appreciated Wolfgang Menke’s story.