1º relato de uma mente ansiosa
Dizem que colocar para fora tudo aquilo que tá preso no fundo da alma ajuda a aliviar a dor. Talvez pensando nisso que eu tenha resolvido escrever aqui. Exteriorizar. Não tenho muito este costume porque nunca sei o que dizer as pessoas: -”Olá, meu nome é fulana e sofro de ansiedade.” - talvez essa não seja uma boa forma de começar uma conversa. Se é que esse tipo de coisa a gente fala por aí.
”- Ansiedade? Tá ansiosa pelo quê? Pra ver teu macho no fim de semana? Pra sair com amigos? Para viajar?” - Não é bem este tipo de ansiedade. Não é a ânsia por algo que está prestes a acontecer. Eu chamaria de ansiedade aquele desespero da alma sem motivos aparentes. Aquela dor que bate sem que você tenha um levado um pé na bunda do teu homem ou sem que você tenha perdido aquela vaga de emprego que pagava tuas contas. Vai além. Não é a alegria de algo que estamos a muito esperando. É a angustia que bate e apenas te faz querer chorar. Talvez essa ânsia seja de algo que sabemos que jamais vai acontecer.
Não sei explicar direito, pois neste momento as pernas chegam a quase perfurar o chão devido ao seu constante subir e descer, tão rápido quanto o bater das asas de uma borboleta faminta. Uns chamam depressão, uns chamam ansiedade. Não sei sobre definições, só sei dizer o que sinto e garanto que não é nada confortável.
Por hoje vamos começar assim. Meu nome não preciso dizer, não faz diferença. Sou apenas mais uma das várias mentes que borbulham mundo a fora em busca de respostas sobre questões que não sabemos formular.