Nuca — Jean-Michael Basquiat (1983)

Basquiat

O caos que já foi inimigo
Hoje em dia faz parte
Se escrevo com sangue
Me transformo em arte

Desenfreado & Tranquilo
Sigo no olho do furacão
Faço o que acredito
Vocês escondem quem são

O ódio que tanto me matou
Hoje me protege
E o amor que tanto machucou
Hoje é o que me rege

Pardo, claro, bege
Não sei usar cores
Não nego o que sinto
Aceito as dores

Tudo que escrevo é vivido
Nem tudo que vivo é escrito
Nem sempre entendem o que digo
Às vezes parece um beijo, às vezes um grito

A forma que me expresso é suja
Minha arte não é bem vista
Eu amo o Renascimento
Mas não sou um renascentista

Me tornei um expressionista
Já não desejo o que desejava
Trabalho porque preciso
Se não só comia, dormia e transava

Esses textos medíocres
Que refletem mais vocês do que eu
Qualquer um poderia ter escrito
Mas ninguém escreveu

O único apelo que fiz
E que ninguém entendeu
É que não me importo em ser o melhor
Eu só me importo em ser eu