Não se mate pt.2

Inspirado no poema de Carlos Drummond de Andrade

Mephisto
Mephisto
Nov 8 · 2 min read

Marcos, sossegue, a vida
é uma benção mas também é um castigo
Num dia você está equilibrado
Noutro odeia os seus amigos

É inútil resistir
ou até mesmo procurar culpados
a culpa está no segurar do choro
a culpa está no abraço não dado

Porém não se mate, oh, não se mate
Na vida é preciso sentir, nem tudo é possível explicar
O coração foi feito pra bater,
o corpo foi feito pra apanhar

Ser forte o tempo todo é um martírio
Quando você fraqueja se sente culpado
Você ainda acredita no amor
Mas já não consegue se sentir amado

Você cospe no prato dos aliados
Mesmo sabendo que o ódio é cíclico
Não dê ouvidos ao diabo, Marcos
Pois você o conhece, o diabo é covarde, fraco e cínico

O vazio chama, sua dor passa a ser a pior do mundo
Você virou a noite e agora o sol nasce forte e pleno
Mantenha-se equilibrado, Marcos
Um gole de água, um gole de veneno

Solidão em voga
Seu coração bate desritmado
E eu sei que é foda se sentir sozinho
Mesmo estando acompanhado

Lembre-se daquilo que realmente importa
— Eu lembro da minha vó e do meu primo,
dos meus pais e dos meus amigos,
Eu lembro do sabor da vitória e de tudo que ainda não vimos

Você é melancólico e vertical, Marcos
A vida te chama, mas você insiste em flertar com a morte
Afrouxe essa corda
Nada disso é questão de ser forte

O sangue em você não pulsa, ele queima
Vívido, bruto, escarlate
Então por favor, Marcos
Por favor,
Não se mate.

Mephisto

Written by

Mephisto

Futuro artista, combatente do crime e morador de rua insano.

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