
Não se mate pt.2
Inspirado no poema de Carlos Drummond de Andrade
Marcos, sossegue, a vida
é uma benção mas também é um castigo
Num dia você está equilibrado
Noutro odeia os seus amigos
É inútil resistir
ou até mesmo procurar culpados
a culpa está no segurar do choro
a culpa está no abraço não dado
Porém não se mate, oh, não se mate
Na vida é preciso sentir, nem tudo é possível explicar
O coração foi feito pra bater,
o corpo foi feito pra apanhar
Ser forte o tempo todo é um martírio
Quando você fraqueja se sente culpado
Você ainda acredita no amor
Mas já não consegue se sentir amado
Você cospe no prato dos aliados
Mesmo sabendo que o ódio é cíclico
Não dê ouvidos ao diabo, Marcos
Pois você o conhece, o diabo é covarde, fraco e cínico
O vazio chama, sua dor passa a ser a pior do mundo
Você virou a noite e agora o sol nasce forte e pleno
Mantenha-se equilibrado, Marcos
Um gole de água, um gole de veneno
Solidão em voga
Seu coração bate desritmado
E eu sei que é foda se sentir sozinho
Mesmo estando acompanhado
Lembre-se daquilo que realmente importa
— Eu lembro da minha vó e do meu primo,
dos meus pais e dos meus amigos,
Eu lembro do sabor da vitória e de tudo que ainda não vimos
Você é melancólico e vertical, Marcos
A vida te chama, mas você insiste em flertar com a morte
Afrouxe essa corda
Nada disso é questão de ser forte
O sangue em você não pulsa, ele queima
Vívido, bruto, escarlate
Então por favor, Marcos
Por favor,
Não se mate.
