É importante empreender-se.

Não é uma superprodução. A verba é curta e não é “Open Bar”. Mas e se a transição de carreira fosse um show da Anitta ou do Wesley Safadão? Você acharia importante criar o trabalho que gostaria de ter? Já é quase século XXII , a 4º revolução industrial está na porta. No Brasil o cenário político caminha entre a falsa ideia de democracia e o desespero fruto do marketing pesado contra crises de autoimagem partidária. O desemprego cresce, a insegurança é aparente e as margens das cidades ditas civilizadas ainda precisam lutar para ter seus direitos assistidos.

O tempo corre na velocidade da internet e amedronta os jovens que caminham iludidos pela construção de uma carreira de sacrifícios. O entretenimento cresce, a música ruim brasileira dos anos 90 profissionalizou-se e os tais artistas “de um hit só” vendem mais que um single para flagelar os ouvidos diletantes. A Publicidade e o Marketing ancorados pelos bons conselhos de Kotler, vendem um novo mundo ideal. Cores, bem estar, autonomia, respeito e diversidade. O oprimido e o marginalizado agora existem. Nos tempos de faculdade nenhum mestre ou doutor apontou essas mudanças. Claro! A cultura é imprevisível. Nenhum deles avisou que o mundo com um diploma nas mãos seria tão diferente daquele que vivíamos.

Formei em Publicidade. As aulas de Estética baseadas no modelo de pensamento Greco-romano reforçaram que o belo era branco, fino, magro e liso. Nas aulas de Redação os estereótipos são incentivados para construir na mente do consumidor uma imagem específica: O mau tem barba e o louco possui olhos com desvio. Longe de sacrificar a Semiótica e fingir que a humanidade não procura significados em tudo, prefiro não acionar as cordas quando o pescoço está exposto. Cada cor tem sua teoria, seu fundamento e sua aplicação. Cada cor exerce no indivíduo uma sensação. Prédios empresariais são de cor cinza, marrom, bege, preto por dentro e por fora. O Ambiente de trabalho precisa ser sério, as pessoas precisam se vestir com formalidade negando quem elas gostam de ser no domingo de tarde. A seriedade formal garante a produtividade e precisa estar em alinhamento com a missão e valores da empresa que é sempre: Lucrar.

Profissionais despertos não conseguem ser produtivos. Não aceitam viver sonhos que não são seus. Nem vão dedicar a própria vida ao que só lhes dá dinheiro. Inquietos não seguem as diretrizes da hierarquia nem os protocolos ditados por gestores antiquados. Profissionais acordados querem mais do que benefícios e participação nos lucros, não tem foco para garantir planilhas perfeitas ou executar planos de ação em prol do “custe o que custar” corporativo. Profissionais criativos e cientes são péssimas aquisições para o capital humano das empresas que estão presas ao “modus operandi” do século passado.

O trabalho que escolhemos durante o período que chamamos de vida neste plano é a obra que vamos ler quando a hora de dormir chegar. Quantos problemas levar para a cama? Os problemas de quem queremos resolver? Resumir um ser humano ao cartão de ponto é uma agressão.

Empreendedores de si deitam com as soluções que querem para o mundo. Navegam em suas criações, constroem parcerias e conversas por um mundo melhor. Ser útil ao mundo, ser fiel a si mesmo e ter tranquilidade nas decisões são suas verdadeiras metas. Empreendedores de si não querem ficar ricos, entendem que riqueza é tempo, é paz, riqueza é acúmulo de realizações de sentido. Empreendedores de si são todos que transformamos os cenários que os mestres e doutores nunca citaram. Quebram as expectativas do mercado. Não somos a plateia nem os atores deste espetáculo. Estamos construindo um novo cenário de sonhos possíveis através do nosso aprendizado e negações .

Todos nós somos importantes quando compreendemos que gerar valor é mais importante do que ganhar dinheiro. O agora é o tempo real. É nele em que podemos realizar tudo. Só o agora existe. Temos a chance de criar o mundo que queremos. Em que século você está?

Felipe Paes Monteiro