A Encruzilhada

Um homem que precisa chegar naquele ponto caminha tranquilamente até aquele ponto. Aquele ponto é uma encruzilhada, dividida em duas estradas, e no meio se encontra o guia. Aquele que te oferece as estradas e te mostra a Opção, mas a Opção é opcional então ninguém é obrigado a escolhe-la.
Esse homem para, a frente, e divaga a cerca de suas escolhas, a qual é necessária, pois senão tudo o que fizeste até agora não vale exatamente nada, isso não é o que ele pensa e aquilo que ele não gostaria de pensar, mas isso ele nunca chegou a pensar pois nunca foi lhe dado a oportunidade do mesmo.
Ele olha, a frente, e vê o guia fazendo o mesmo. E vendo isso, se vê na necessidade de começar uma conversação:
— Olá! — Diz o homem.
— Olá. — Responde o guia.
Ambos continuam ali a se observar. O guia com uma face meio morta, sem expressão e olhando para o homem como se para nada, e o homem em uma dúvida eterna.
— Não vai me dizer nada? — Perguntou o homem.
— Não tenho que te falar nada, estou aqui apenas para servir meu propósito.
— Então faça-o.
— Esta bem.
Ele apenas se levanta e caminha para um dos lados da encruzilhada. E mostra um dos lados da pista, o direito, e começa a recitar palavras que não podiam ser ouvidas pelo homem.
— Não quero que me diga os Propósitos Mudos. Quero que apenas leia as placas em voz alta. — Falou o homem.
— Ali diz: O Fim, a cerca do medo e da dúvida. — Ele apontava para o lado direito. E agora apontava para o esquerdo. — E lá: O Inicio, o Nada, a não existência.
O homem, depois disso, pensa. E o guia cruza os dedos e parece desligar-se da vida.
— Como eu tenho que optar por um apenas? Ambos são estranhos.
O guia continuou sem reagir. Então ele prosseguiu:
— Porque eu devo dar Inicio se já estou no meio? Isso seria negar completamente o que fiz até agora, e como poderia escolher o Fim para terminar no meio do caminho, e deixar algo pela metade? Por que as pessoas sempre temem o que não conhecem, e por causa disso vivem se afogando em dúvidas? E porque o Nada? O não existir? Porque devo escolher um dos dois, se os dois dão no mesmo lugar?
— Há a Opção. E muitos dizem que essa é a única Opção. — Disse o guia sem viver.
— Pois essa é a única Opção. E por isso, opto por ela.
— Esta bem. — Disse o guia se dirigindo para o centro da encruzilhada retirando de baixo de seu balcão uma corda grossa e entregando ao homem.
O guia apontou para suas costas e se sentou atrás de seu balcão. O homem então de um nó na corda e caminha para atrás do guia, aonde tinha uma árvore e um toco. O homem subiu no toco, amarrou a corda na árvore, colocou-a em seu pescoço e se atirou.