Woman’s responsibility (by Patti Niemi)

San Francisco Chronicle

27.09.2018

It’s the woman’s responsibility to be assaulted correctly. Start with the clothes: they should be unremarkable, dully colored, neckline not too low, hemline not too high. She must not have consumed any alcohol. She must not have entered an unoccupied room; she must stick to brightly lit, crowded areas.

She must make sure the assault lasts for hours because no one can be expected to imagine that “only five minutes” could affect a woman for the rest of her life.

It’s preferable to have bruises — it’s better if the “no” is visible. She must choose, as her attacker, a degenerate — future leaders such as Supreme Court nominees will have lived “too exemplary a life” to have once perpetrated an assault.

Above all, she must report it immediately. There’s no time for crying, fear, shock. Any time spent waiting, whether it’s a few minutes or 30 years, is time spent concocting a story.

If it’s “only” harassment and only involves intimidating, bullying, stalking, or a vast power differential, the woman must acknowledge that “it’s not like she was raped.”

If she’s a 21-year-old student at Juilliard and her four-decades-older powerful mentor kisses her and then tells her “someone needs to teach her how to kiss” before kissing her again, she must not shut down and freeze in fear and disgust and confusion because, as Sen. Orrin Hatch would say, “If someone kissed me and I didn’t want them to, I’d scream!”

It makes me want to scream now.

Patti Niemi, Oakland

Source: https://www.sfchronicle.com/opinion/letterstoeditor/article/Letters-to-the-Editor-Keep-the-lies-simple-13261200.php


TRADUÇÃO LIVRE

Responsabilidade da mulher

É responsabilidade da mulher ser agredido adequadamente. Comece com as roupas: elas não devem ser chamativas, devem ser coloridas, o decote não deve ser muito baixo, o comprimento não é muito alto. Ela não deve ter consumido álcool. Ela não deve ficar em um quarto desocupado; ela deve ficar em áreas iluminadas e lotadas.

Ela deve se certificar de que a agressão dure horas, porque ninguém vai acreditar que “apenas cinco minutos” vai afetar uma mulher pelo resto de sua vida.

De preferência que tenha hematomas — é melhor que os machucados escondidos. Escolha um agressor degenerado — futuros líderes como os indicados da Suprema Corte terão vivido “uma vida muito exemplar” para terem cometido um abuso.

Acima de tudo, ela deve denunciá-lo imediatamente. Não há tempo para chorar, medo e choque. Qualquer tempo gasto esperando, seja em alguns minutos ou 30 anos, é tempo gasto inventando uma história.

Se é “apenas” assédio e envolve intimidade, ameaça, perseguição ou um vasto diferencial de poder, a mulher deve reconhecer que “não é como se ela tivesse sido estuprada”.

Se ela é uma estudante de 21 anos na Juilliard e seu poderoso mentor de quatro décadas mais velho a beija diz que “alguém precisa ensiná-la a beijar” antes de beijá-la novamente, ela não deve desligar e congelar de medo, nojo e confusão porque, como diria a senadora Orrin Hatch, “se alguém me beijasse e eu não quisesse, gritaria!”

Isso me faz querer gritar agora.

Patti Niemi, Oakland