7 informações essenciais sobre o aleitamento materno

No Brasil, estima-se que a média de tempo para aleitamento materno exclusivo entre as mães seja de 54 dias, o que não chega a ⅓ do tempo de recomendação de órgaos como o Ministério da Saúde, a OMS e a UNICEF. Por desconhecerem benefícios essenciais da amamentação, e serem compelidas a voltar ao mercado de trabalho o mais depressa possível, o número de mães que abandonam a prática mais cedo do que deveriam é alarmante. Por esse motivo, nesta semana aproveito para esclarecer 7 informações essenciais que envolvem este tema:

  1. A recomendação para aleitamento chega a 2 anos ou mais.

Dados da UNICEF mostram que, no segundo ano de vida, 500 ml de leite materno fornece 95% das necessidades de vitamina C, 45% das de vitamina A, 38% das de proteína e 31% do total de energia de que uma criança precisa diariamente. Além disso, o leite materno fornece imunoglobulinas que nenhuma vacina é capaz de fornecer à criança tornando-a mais resistente as infecções e fortalece o vínculo mãe e filho.

2. A amamentação fortalece o sistema imunológico da criança.

O leite materno possui diversas imunoglobulinas que não são disponíveis de outra forma a não ser pela amamentação, aumentando a imunidade. Tem perfil balanceado de proteínas, carboidratos, lipídios e vitaminas adequados à necessidade da criança e, em casos de mães de bebês prematuros, temos o ajuste fisiológico do corpo materno às necessidades do bebê!

3. O aleitamento na primeira hora de vida é de extrema importância para a saúde do bebê.

Um recente estudo divulgado pela Unicef apontou que é possível evitar até 22% das mortes neonatais por meio do aleitamento na primeira hora do parto. Este período de tempo é essencial pois marca a produção maternal do colostro, aquele líquido amarelado repleto de proteínas, água e gorduras essenciais que, inclusive, prepara a parede intestinal do bebê para receber o leite materno. Vale salientar que o bebê aleitado na primeira hora elimina o mecônio (primeiras fezes) e diminui o risco de icterícia.

Além disso, o colostro está repleto de anticorpos produzidos pela mãe e contém informações sobre os microorganismos com os quais ela já entrou em contato ao longo da vida, mostrando-se uma substância de extrema proteção ao bebê.

Já no que se refere a saúde da mãe, o aleitamento na primeira hora auxilia nas contrações uterinas e diminui o risco de hemorragias. No mais, é a escolha pelo aleitamento na primeira hora que ajuda a fortalecer o vínculo afetivo entre mãe e bebê.

4. Amamentar protege a criança contra a obesidade.

É um fato: o peso pré gestacional influencia no estado nutricional do bebê. Contudo, o ato de amamentar pode ser fator determinante na prevenção da obesidade. A composição do leite bem como sua densidade energética variam do início ao fim da mamada e, desta forma, o bebê ingere volumes diferentes a cada mamada. Este controle fisiológico favorece, ainda, o controle de fome e saciedade uma vez que o bebê aleitado ao seio somente termina a mamada quando está de fato satisfeito e o bebê que utiliza mamadeira, tende a esvaziá-la. O gasto energético envolvido na sucção ao seio também é superior a sucção à mamadeira.

O efeito protetor do leite materno é dose dependente: quanto maior o tempo de exposição, maior a prevenção à obesidade e ao diabetes!

5. O aleitamento favorece as escolhas alimentares saudaveis.

Como dito anteriormente, o leite materno muda de composição e sabor do início ao fim da mamada. Sendo assim, a criança aleitada consegue aceitar melhor os alimentos na época do desmame. A interrupção do aleitamento pode favorecer a introdução de alimentos ricos em açucares e gorduras e, consequentemente, constrói um paladar com predileção aos alimentos industrializados colaborando, assim, com o desenvolvimento da obesidade infantil. Lembrando que a obesidade materna favorece a obesidade infantil.

6. Amamentar em público é direito de toda mulher.

Apesar de todos sabemos o quão importante e delicado é o período de amamentação para uma mãe e seu bebê, a sociedade brasileira infelizmente não se mostra preparada para fornecer apoio e incentivo às lactantes. Por isso, é de suma importância mudar a mentalidade com a qual temos lidado com o aleitamento e passar a vê-lo como um ato natural e de direito de todas as mães e filhos. Inclusive, vale lembrar que, hoje em dia, existem leis que multam qualquer cidadão que tente constranger uma mãe a não amamentar em espaço público. Por isso, que continuemos caminhando para um mundo de menos preconceito e mais informação.

7. Providenciar um espaço para aleitamento é coisa de empresa séria.

A Semana de Aleitamento Materno deste ano tem como enfoque especial a iniciativa de conscientizar as empresas sobre a importância da amamentação, uma vez que uma porcentagem significativa (34%) das mulheres para de amamentar para voltar ao trabalho. No entanto, desde 2010 o Ministério da Saúde e a Anvisa lançaram uma nota técnica com instruções para instalações de salas propícias ao aleitamento dentro das empresas. A iniciativa beneficia não só as funcionárias como também a própria empresa, uma vez que a amamentação previne doenças futuras e, consequentemente, que as mães faltem ao trabalho para cuidarem de seus filhos.