Kiki

Cena do documentário “Kiki”, de Sara Jordenö — Divulgação

Quando saiu a programação do Festival do Rio 2016, um dos documentários que mais me chamou atenção foi Kiki. Bebendo da fonte do consagrado Paris is Burning, o filme retrata a nova geração negros transgêneros de Nova York praticando voguing (estilo de dança em que Madonna se inspirou para criar o tema Vogue) e suas “houses”. “Uma nova e muito diferente geração de jovens LGBTQ [lésbicas, gays, bissexuais, transgênero e queer] formaram uma subcultura artística ativista chamada kiki scene” é o que diz a sinopse do filme.

O documentário já começa nos mostrando que o voguing é muito mais do que um movimento artístico onde os bailarinos contorcionam seus corpos no ritmo da batida (maravilhosa por sinal). Nos balls (onde rola as competições), cada uma representa sua casa (as famosas “houses” que são encabeçadas por um pai ou mãe na comunidade) em suas determinadas categorias. A cena kiki, que entendi como uma sub cultura dos balls é onde os jovens periféricos que foram abandonados em casa e pela sociedade simplesmente por ser quem são estão se encontrando. Entre os seus, eles têm liberdade para se expressar como artistas e como indivíduos. Ao longo do filme somos apresentados a diversos personagens, cada um com suas particularidades e sonhos.

Cena do documentário “Kiki”, de Sara Jordenö — Divulgação

Não é para iniciantes no universo LGBTQ, mas não atrapalha os menos experientes. Assisti com meu noivo que não sabe nada sobre o assunto (o mais perto que ele chega é saber sobre episódios de RuPaul’s Drag Race que obrigo ele a assistir hahahaha), e ele achou tão cativante que sentiu vontade de saber mais. Pra mim que já leio e assisto mais coisas foi uma experiência hipnotizadora. É dinâmico, com uma pegada que lembra os cortes do clássico Paris Is Burning mas com originalidade.

Sara Jordenö e Twiggy Pucci Garçon no Sundance 2016

Tive a oportunidade de conversar com a produtora Annika Rogell ao final da sessão e perguntar o que levou eles a ter a idéia de fazer um documentário 25 anos depois de Paris is Burning. Ela me contou que a cineasta estava em Nova York filmando um outro projeto quando conheceu Twiggy Pucci Garcon. Foi idéia dele retratar como está o cenário atualmente. Ela disse também que foi graças ao intermédio de Twiggy que a diretora conseguiu durante os 4 anos de filmagem que confiassem nela para se abrirem e retratar suas verdades nuas e cruas.

Um filme obrigatório.

Betendo o bedelho: *****

Kiki
Lançamento:
2016 (1h 40min)
Direção: Sara Jordenö
Gênero: Documentário
Nacionalidade: EUA / Suécia