UM PROBLEMA DE COZINHEIROS

Às vezes leio por aí algumas crónicas e notícias sobre novos restaurantes que me levam a querer conhecê-los. De repente percebo que o local em causa se dedica apenas a servir menus de degustação, onde os comensais são obrigados a encarar o que o cozinheiro (que nestes sítios se chama Chef) lhes dá, sem possibilidade de escolha. O racional por trás desta coisa é simples: se o cozinheiro é tão artista que se intitula Chef, a sua obra carece de liberdade de expressão que não pode ser toldada por um qualquer apetite momentâneo de um freguês insensível. Assim sendo quem vai ao local é para apreciar arte, porque a escolha já foi feita — seleccionando o artista que se vai provar. Pois devo dizer que não é coisa que me agrade. Gosto de olhar para uma lista e escolher o que me apetece, se quero entrada ou não, se quero peixe ou carne, e se quero doce, o que raramente acontece. Felizmente alguns locais mantêm o bom senso e, tendo menus de degustação, têm também alternativas; e outros possibilitam que se escolha apenas parte do menu. Chama-se a isto oferecer ao cliente liberdade de escolha em vez de imposição de gosto. Não tenho paciência nenhuma para cozinheiros que dedicam mais atenção a elaborar nomes complicados para os pratos que apresentam do que a querer servir e satisfazer quem os visita.

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