A N T E C I P A Ç Ã O
Podia dizer que foi nas reuniões de família que dei por mim a concluir que a mais maravilhosa das etapas da vida, a vida universitária, estava a acabar. A verdade é que não foi a tia chata ou o primo em quarto grau que me deixou a pensar sobre o que fazer depois. Ainda estava eu a acabar o segundo ano e já circulavam em loop as perguntas “Vais para o último ano, já sabes o que realmente queres?” , “Estás preparada para trabalhar?” ou até “Ainda não sabes lavar roupa sem a estragar, como é que vais ser responsável por assuntos sérios?!”.
A verdade é que, mais uma vez, não sei o que aí vem. Parece que tudo vai voltar a acontecer, mas desta vez é mais a sério. A escola vai ficar para trás e não se pode virar as costas quando não gostas de uma pessoa ou não podes faltar às aulas das 9h da manhã porque foste para a festa até às 7h. E sim, ainda faltam seis meses para o estágio chegar, mas ânsia e a instabilidade de saber o que vai acontecer chegou mais cedo. Com ela veio também a incerteza sobre as competência que se foi adquirindo, as dúvidas sobre qual a área onde se quer realmente trabalhar e quais os truques para não fazer merda.
“Será que vão gostar de mim?”, “Será que as minhas ideias não serão absurdas?”, “Será que vou cair em frente a todos os colegas no primeiro dia?”, “Será que serei suficientemente profissional?”, “Será…?”. Medo, esse maldito que se apodera e nos vai sugando toda a energia. As fantasias cor de rosa começam a ficar deturpadas e a única vontade é viajar para Nárnia. Esse medo maldito que tanto incomoda meses antes, que estraga noites bem dormidas e quebra rotinas.
Anos depois é como se nada tivesse acontecido, sempre foi tudo perfeito. Quando começou não houve medos nem incertezas. Tudo foi simples e sem problemas. E a mudança surge, o ciclo volta e aparentemente estamos a passar por tudo novamente, com a sensação de que isto é novo e nunca sofremos antes.
