O prazer de ser escuteira
Há pequenos e grandes prazeres. Há quem os aproveite até não haver nada mais e há quem não queira saber e os deixe passar ao lado. Ser escuteira é um pouco dos dois. Nem sempre temos vontade de ir, mas depois quando vamos não há como não aproveitar.
Sempre que tento explicar o que é o escutismo não consigo. As palavras atropelam-se, há uma necessidade enorme de adjetivar positivamente todo o movimento, mas culmina sempre numa grande trapalhada e as pessoas não entendem bem o que sinto por estar sempre alerta. Talvez, a partir de agora, comece a definir o escutismo como um prazer. Provavelmente, o meu maior prazer.
O prazer de colocar o lenço no pescoço. Passar uma manhã a pintar um local da comunidade em que estamos inseridos ou ensinar os mais novos a fazer nós. Caminhar horas seguidas com uma mochila às costas ou ajudar o Zé porque torceu o pé mas mesmo assim quis participar na atividade. Passar 48 horas sem bateria no telemóvel ou dormir ao relento. Arranjar maneira de atravessar um pequeno rio ou apenas aproveitar a festa da aldeia que nos acolheu. Pequenos prazeres que culminam em fins de semana fora de casa e aprendizagens continuas.
Afinal prazer ainda não chega. Ainda não é forte o suficiente para justificar os calções durante o inverno e os acampamentos sobe 40º graus. Não explica como se formam amizades tão rapidamente e que parecem de uma vida inteira. Prazer é um bom ponto de partida, mas há tanto mais que continua difícil denominar todas as sensações que se experimentam.
Deixo-vos sem certezas sobre o que é ser escuteiro, o melhor mesmo é experimentar!
