Tempo

Hoje, dia 15, Quinta-Feira.

Tempo, foi o que ela me pediu. Na verdade não foi bem um tempo. Foi uma partida de um avião que pousou e nunca pensou que iria decolar. Não sei lhe explicar bem o que foi, mas houve um tempo durante esse tempo.

Durante esse tempo, me dediquei somente ao tempo. Fiz o tempo, criei e reinventei o tempo, mas sobrava um tempo para pensar no tempo em que era um tempo romântico, feliz. Achava o tempo-romântico-feliz duraria para sempre.

Não reclamo do tempo, até que me fez bem. Não apenas à mim, fizera bem à terceiros. Descobri locais incríveis, fui em muitos que sempre quis ir, mas com a corredia do dia-a-dia nunca fui, afinal, o tempo é curto!

Curto, isso, com certeza o tempo não tem nada. Graças à esse tempo que foi me dado, consegui folhear e descobrir um universo de muito amor que já não via há muito tempo de Clarice Lispector, e olhe só, parei-me no tempo.

Guardaria o tempo como se fosse um relógio analógico que coloquei no congelador há um tempo atrás, mas ele não pararia. Ele seguiria, quem pararia talvez seria eu. Mas será que o tempo iria voltar?

Não resisti a esse tempo que foi dado, achei que já era tempo suficiente. Fracassei, confesso. Chamei, em pouco tempo me respondeu, o tempo não mudou, respostas no inicio foram igual a de quando me pediu um tempo. Mas deixei cair a minha felicidade que estava no tempo em que estava ouvindo Tom Jobim, pensando no Tempo.

O que será que o tempo me guarda? Qual é a rede social do tempo mesmo?