Aquela relação difícil

Eu amo o subúrbio

Tudo o que o subúrbio tem a oferecer. Aquela música que o vizinho põe que você tem vontade de cantar junto com ele. Os inúmeros bares de esquina lotados pontualmente em todas as noites de sexta. As crianças brincando no parquinho do bairro, fazendo seus melhores amigos de apenas algumas horas.

Eu amo o subúrbio

Tem x-tudão baratinho, coisa que nenhum foodtruck tem a oferecer. Barraca de açaí? Tem também. E a boa e velha batata frita com mil coisas mais que te fará ter muitas placas de ateroma? Essa não pode faltar.

Eu odeio o subúrbio

Cadê minhas horas de paz? Querido vizinho, minha prova de fim de semestre é amanhã, não precisa ouvir música até às 3 da manhã. Algum dos muitos cachorros late incessantemente, crianças gritando loucamente.

Eu odeio o subúrbio

Mais de 1 hora tentando chegar na faculdade pra estudar. E quem disse que é só um transporte até lá?

Quer saúde, é? Bom, você tem um tempo de “todo o seu dia” nos lugares de atendimento público ou a distância de “tão tão distante” para ser atendido pelos melhores lugares particulares. Mas quem disse que você tem dinheiro pra isso também, não é mesmo? Ou tempo… É melhor deixar pra lá, não acha?

Cinema? Tem não senhor… Ou tem com os filmes mais clichês que ficam durante séculos em cartaz. Teatro? Tem não. Livraria? Não senhor. Show? Espetáculos? Haha, o senhor é uma piada mesmo. Vai lá dar uma voltinha no shopping pra olhar as lojas, é muito divertido ficar pensando no dinheiro que não se tem pra gastar.

Talvez eu não odeie o subúrbio. Talvez eu só fique muito puta com a falta da qualidade de vida nesses lugares mesmo. Com uma galera que rala o mês inteiro, mas falta muito. Falta tanto.

Falta tanto que o barzinho de esquina na sexta-feira deixou de ser uma diversão e passou a ser um consolo.

É uma relação realmente muito difícil de entender.

Só sei que eu te amo, mas te odeio profundamente meu querido subúrbio.