Que realidade é essa?

Estamos mesmo vivendo na matrix?

Mateus Nascimento
Feb 23, 2017 · 4 min read

Você já jogou The Sims? O jogo é um simulador de vida, onde você pode construir sua casa, ter uma profissão, conhecer pessoas e começar uma família, entre outras tantas coisas mundanas que estão disponíveis para se fazer no game. Mas e se tudo isso não fosse apenas um jogo, mas sim nossa própria realidade? Soa muito esquisito? Então fique comigo pelos próximos parágrafos e saiba onde eu quero chegar.

Videogames evoluem muito rápido

Há algumas décadas, sequer imaginávamos o advento do Super Nintendo. Hoje, já estamos vendo a tecnologia de realidade virtual se tornar cada vez mais comum e difundida. Se você parar para analisar essa linha do tempo, vai perceber que ela é muito curta em termos de escala evolutiva. Do Pong, lançado em 1972, aos simuladores de realidade atuais, passaram apenas 45 anos.

Esse é o Pong. Moderno, não?

Agora imagine 45 anos no futuro. Continuando nesta taxa de evolução tecnológica que temos hoje, como estarão os videogames? Se hoje já temos realidade virtual com cheiro, toque e até condições climáticas, como serão os gráficos do futuro?

O filósofo sueco Nick Bostrom aposta que serão ótimos. Tão bons que serão capazes de rodar simulações indistinguíveis da realidade, as quais ele chama de ancestor simulations. Em seu artigo “Are You Living In a Computer Simulation?, ele defende que, tendo em vista nossa capacidade de desenvolvimento tecnológico, uma dessas três afirmações está correta:

  1. A humanidade será extinta antes que consiga criar simulações indiferenciáveis da realidade;
  2. A humanidade terá tecnologia para criar estas simulações, mas optará por não fazê-lo;
  3. Nós provavelmente vivemos em uma simulação de computador.

Doido, não?

“Is this real life?”

O argumento de Bostrom é o seguinte: a menos que aconteça alguma catástrofe que elimine a humanidade da face da Terra, nós inevitavelmente atingiremos o estágio tecnológico necessário para reproduzir simulações da realidade. E, a menos que algum dilema ético motive a humanidade a limitar ou eliminar o uso desse tipo de tecnologia, os humanos com certeza reproduzirão estas simulações.

Esse raciocínio nos leva então à terceira afirmação da lista acima. Imagine o seguinte cenário: a humanidade consegue criar a tecnologia para reproduzir simulações perfeitas e essa tecnologia não ficará restrita apenas ao centros de pesquisa. Assim como a realidade virtual já está sendo inserida no cotidiano das pessoas hoje, através de jogos e outras aplicações, as simulações do futuro também estarão disponíveis para as pessoas em casa. Isso significa que basicamente qualquer pessoa no mundo seria capaz de iniciar um jogo e controlar um mundo inteiro simulado. E este mundo seria idêntico ao nosso. Tão idêntico que nem é possível saber se é uma simulação ou é real. Entendeu onde Bostrom quer chegar?

Neste futuro proposto pelo conceito da simulação de Bostrom, você terá um mundo real com bilhões de pessoas simulando bilhões de mundos com bilhões de outras pessoas. Logo, é muito provável que você também viva numa simulação de computador, e por simples estatística: se este for o caso, as chances para que você não seja uma simulação são de 1 em bilhões (Elon Musk também concorda com estes números).

The Sims me representa

Seguindo o ritmo de avanço tecnológico observado ao longo da história, não deve demorar muito tempo (na escala evolutiva) até que possamos vislumbrar se seremos capazes de criar as ancestor simulations propostas por Bostrom. Se nossas civilizações conseguirem reproduzir estas simulações, então deveremos ter a confirmação da teoria, pois não haveria motivo para supor que nós mesmos não somos simulados e que nossos criadores também não são simulações e assim por diante, criando cada vez mais camadas que separam estes mundos da realidade.

~Baladinha top~ no The Sims: somos tão diferentes afinal?

Mas, se esta teoria se provar correta, que efeito prático isso teria para nós? Quase nenhum, na verdade. O mundo que você conhece continuaria existindo e sua vida poderia prosseguir normalmente. Os efeitos morais dessa descoberta, contudo, são mais complicados de prever.

Porém, há um ponto positivo a se observar: se formos mesmo uma simulação de computador, isso significa que a humanidade continua ‘firme e forte’. E, segundo Musk, é melhor esperar que seja esse o caso, pois a outra alternativa é a da extinção.

Essa é a sensação, né?

A parte mais legal deste conceito é que ele abre margem para se explorar inúmeras outras questões sob uma perspectiva diferente. Diversos debates filosóficos podem ganhar novos contornos se inseridos no contexto do conceito da simulação, como existencialismo, absurdismo, religião, etc e olhar a vida a partir de um novo ponto de vista é sempre um exercício válido, mesmo que essa nova vista possa assustar a princípio.


Referências e indicações

Are You Living In a Computer Simulation? — o artigo original de Nick Bostrom.

Mateus Nascimento

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Formado em comunicação social, entusiasta do marketing digital e curioso pelas coisas da vida.

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