Sobre amor e posse

Estava jogando minha Paciência quando vi a propaganda de um app. Ela me chamou a atenção pela pergunta inicial, que dizia “onde está sua pessoa amada agora?”

Não sei você, mas ele não está ao meu lado agora neste segundo. Então uma frase dessas te faz pensar. Respondi mentalmente “São 14h30 de um domingo. Deve estar dormindo.” E aí a propaganda continuou. Era de um aplicativo de geolocalização. Basicamente um programa feito para controlar todo e qualquer movimento da “pessoa amada.”
Isso me levou a pensar comigo mesma. O quão insegura uma pessoa precisa ser para baixar um app desses? E mais do que isso, o quão insegura no seu relacionamento a pessoa tem que estar para achar que precisa de uma coisa dessas.
Não digo que toda insegurança é ruim (mentira, digo sim!), inclusive porquê também sou bem insegura com relação a muitas coisas. Mas eu converso e exponho tudo o que sinto. Às vezes acho até que encho o saco com isso, mas prefiro me comunicar e falar sobre o que eu sinto do que engolir e ficar paranóica. Ou pior ainda, encher o saco de terceiros sobre ele. Maturidade também é isso. É ter capacidade de comunicação. E comunicação é a principal forma de manter um relacionamento saudável.
Lembrando que quando eu digo relacionamento, estou dizendo no geral. Pode ser uma ficada, um namoro, um casamento ou até mesmo uma amizade.
Agora, uma pessoa que baixa um aplicativo desses não é saudável. Nem ela e nem o relacionamento dela. Essa necessidade de engaiolar o outro não é amor, é posse.
Amor é sobre liberdade, sobre confiança, sobre estar ali porque se quer estar ali. Sobre conviver com pessoas inteiras e aceitá-las como são, qualidades e defeitos. E não tentar mudá-las, mas conversar sempre que houver um incômodo ou algo que precisa ser dito. Qualquer outra coisa que fuja disso não é amor.
Dito tudo isso, ter ciúme é “normal.” Faz parte. Mas deixar o ciúme controlar não é. E querer ter essa necessidade insana de confirmar onde a pessoa amada está é, além de falta de confiança, uma enorme chance de se viver uma relação abusiva.
Agora vem uma dica amiga: se vive algo que considera abusivo, procure ajuda. Os traumas não vão embora. Digo isso porque eu “superei” relações abusivas no meu passado mas ainda carrego cicatrizes que afetam o meu presente, principalmente em relações amorosas. E se você pensou em procurar o nome do app, vai se tratar!
